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Monte Sinai

 
26 - O Antigo e o Novo Testamento concordam entre si?

 

 

 

1. NO INÍCIO do reinado do rei Reoboão (931-913 A.E.C.) 10 tribos de Israel revoltaram-se em,protesto contra os elevados impostos e estabeleceram-se como o separado ''Reino de Israel", sob o governo de Jeroboão I, na parte norte da Terra Santa. Reoboão foi, dali em diante, o governador do "Reino de Judá" que consistia principalmente das tribos de Benjamim e Judá, tendo Jerusalém como sua capital. Essa grande brecha na unidade israelita nunca foi sanada.

O reino do norte foi destruído pelos assírios em 722 A.E.C. e o do sul pelos babilônicos em 586 A.E.C. Quase todos os sobreviventes de ambos os reinos foram dispersos por seus conquistadores para distantes terras pagãs.

Sob um decreto em 536 A.E.C., emitido por Ciro o Grande, rei da Pérsia, cerca de 50 mil exilados judeus retornaram com Zorobabel para Jerusalém e restauraram a comunidade judaica. Ela cresceu em força e manteve uma precária existência, a despeito das tremendas dificuldades durante o domínio mundial dos persas e dos gregos. Em 63 A.E.C. foi incorporada, pelos exércitos, ao Império Romano.

Mas o número de judeus que continuaram a viver em terras pagãs, muitas vezes se igualava ou excedia ao da população judaica, da comunidade judaica. E em conseqüência do cativeiro babilônico, o aramaico substituiu amplamente o hebraico, como a língua comum usada na cotidiana vida judaica. À medida que o nosso povo em terra de gentios estava constantemente exposto a influências perniciosas do paganismo que o rodeava, não podia ler as Escrituras Sagradas em hebraico e se achava isolado, pela distância, da freqüência regular aos serviços do templo e às instruções religiosas e celebrações dos festivais anuais em Jerusalém, os nossos líderes judeus ficaram profundamente preocupados com o bem-estar espiritual de nosso povo. Como resultado, foram edificadas sinagogas para comunidades judaicas em muitos lugares pelo mundo, para que pudessem cultuar ao Deus de Israel regularmente no dia de sábado e serem instruídos nas Sagradas Escrituras. Antigamente, literatura religiosa fora providenciada, em forma de targums, que consistia em traduções parafrásticas e interpretativas das Escrituras Sagradas, do hebreu ao aramaico.

Ao tornar-se a cultura helênica dominante no mundo grego-romano, o grego se tornou a língua mais largamente usada, especialmente nos países europeus, asiáticos e africanos, na proximidade do Mar Mediterrâneo. Por exemplo, a cidade de Alexandria, no Egito, foi fundada por Alexandre o Grande, em 332 A.E.C., de cujo nome origina também o nome da cidade, sendo ele o conquistador daquele país. Muitos judeus estavam presentes naquela ocasião. De fato, a população judaica do Egito, no início do primeiro século da Era Cristã, fora publicada por um dos porta-vozes oficiais como sendo de um milhão. A população de Alexandria somente, estimava-se em 200.000 naquela época.

Ptolemeu I (Sóter), um destacado general de Alexandre o Grande, fez-se rei do Egito e com isso fundou a Dinastia Ptolomaica dos monarcas que falavam a língua grega e que ali reinaram até que o país foi anexado ao Império Romano, em 30 A.E.C. Com o favor e encorajamento de seu filho, Ptolomeu II (Filadelfo), rei do Egito (287-247 A.E.C.), eruditos judeus começaram a traduzir o texto completo das Escrituras Hebraicas para o grego, a língua mais universalmente usada naquela época, para o benefício de todos os que a falavam. Yeshua ben Sira (Siraque), um mestre judeu de religião e ética, relatou que, quando ele estava no Egito, em 132 A.E.C., descobriu que "a lei, e os profetas, e os outros livros de nossos pais" já estavam em uso corrente entre o povo dali.

Os escritores judeus que escreveram as Escrituras do Novo Testamento, no primeiro século da E.C., fizeram-no em grego, a fim de que pudessem ser lidas pela maior parte do povo. Mais tarde, tanto o Antigo como o Novo Testamento, foram traduzidos para outras línguas importantes do mundo. De fato, a demanda pelas Escrituras Sagradas em grego tornou-se tão importante que os sábios judeus fizeram arranjos para que novas traduções gregas do texto hebraico fossem feitas. Uma dessas versões foi a de Áquila, um prosélito, no reino do imperador romano Adriano (117-138 E.C.). Outra foi preparada por Teodocião, também um prosélito, antes de 182 E.C. Sua tradução grega do Livro de Daniel tornou-se muito popular.

Os judeus que escreveram as Escrituras do Novo Testamento seguiram o precedente já estabelecido por nossos sábios judeus que iniciaram a tradução das Escrituras hebraicas para o grego no terceiro século A.E.C., transliterando as palavras hebraicas Yehoshua' (Yeshua' em aramaico) e Mashiach como 'lesous e Messias respectivamente em grego. Assim, os termos "Jesus" e "Messias" (significando "O Ungido") em nossas versões inglesas do Novo Testamento, são transliterações legadas a nós por nossos antigos e eruditos judeus tradutores da Bíblia. De fato, em 36 de 39 casos, nossos antigos eruditos judeus verteram o terno hebraico mashiach como christos ("O Ungido") quando eles prepararam a versão grega. Especialmente significativo é o fato adicional que eles traduziram Mashiach como Christos na profecia messiânica de Daniel 9:24-27 em ambas as versões, a Septuaginta e a Teodocião. Os escritores do Novo Testamento, portanto, simplesmente seguiram esse precedente judaico de usar o termo grego "Christos" como o equivalente correto de Mashiach em hebraico.

2. Júlio Cesar escreveu sua Guerra Gálica entre 58 e 50 A.E.C., mas o mais antigo manuscrito da obra atualmente conhecida como existente, é um que foi feito há cerca de 900 anos depois de o autor tê-la escrito. A História Romana de Livy, originalmente compreendia 142 volumes, mas somente 35 deles sobreviveram. Essa obra foi composta entre 59 A.E.C. e 17 E.C. mas somente um manuscrito dela (consistindo de porções dos volumes três e seis) provêm de data tão remota como o quarto século da E.C. As Histórias, escritas por Tácito, cerca de 100 E.C., consistiam de 14 volumes, mas somente quatro e meio deles sobreviveram. Dos 16 volumes dos seus Anais, somente 10 sobreviveram na íntegra e dois, em parte. O texto dessas duas obras depende agora inteiramente de dois velhos manuscritos, um do nono século e o outro do décimo primeiro século.

A História por Tucídides (ca. 460-400 A.E.C.) sobrevive em oito manuscritos, o mais antigo pertencendo a aproximadamente 900 E.C., mais alguns poucos fragmentos de papiro do início da Era Comum. O mesmo pode ser dito da História de Heródoto. Todavia, existem cerca de 4.000 manuscritos do Novo Testamento, completos ou em partes. Ver F. F. Bruce, The New Testament Documents - Are They Reliable? (Os documentos do Novo Testamento - São Autênticos?) págs. 14-20 (W. B. Eerdmans Publishing Co., Grand Rapids, Mich.: 1963); artigo de C. C. McCown, The Earliest Christian Books" (os mais antigos livros cristãos) em The Biblical Archeologist Reader, págs. 251-261 (edição de Anchor Books, 1961).

3. Para os escritos do Novo Testamento no primeiro século, uma data foi razoavelmente estabelecida. A evidência para isso é muito maior do que para muitos dos escritos das obras clássicas gregas e romanas, cuja autenticidade não é questionada. Tem sido encontrados alguns fragmentos de papiro, que os peritos em papirologia têm datado como não mais antigos do que 150 E.C. Mais antigo ainda é um fragmento de papiro contendo João 8:31-33, datado de cerca de 130 E.C., data essa que está dentro de 40 anos desde a morte de João. Esse documento de papiro, encontrado em 1917, está agora na John Rylands Library, em Manchester, Inglaterra. A evidência histórica revela que João escreveu seu Evangelho pouco antes de sua morte, em Éfeso, próximo do fim do primeiro século.

O Dr. Joseph Klausner, um erudito judeu destacado por sua pesquisa histórica sobre a vida de Jesus de Nazaré, bem declarou:

"Se tivéssemos antigas fontes, como aquelas nos Evangelhos para a história de Alexandre o Grande, ou Júlio César, por exemplo, não lançaríamos nenhuma dúvida sobre elas. É verdade que os evangelistas foram influenciados por aspectos e propaganda religiosos; mas acaso as opiniões e propaganda políticas, pelas quais antigos historiadores foram influenciados, consciente ou inconscientemente, invalidam ou obscurecem os dados históricos, menos do que as inclinações e opiniões religiosas? Se criticismo cético e caçador de minúcias como esse, fosse aplicado às fontes históricas relativas à vida e pensamentos de Carlos Magno ou Maomé, deles não teríamos conhecido nada que tenha mesmo uma relativa validade histórica, exceto suas meras existências." - De Jesus a Paulo, pág. 260 (Beacon Press, Boston, Mass.: 1961).

O Novo Testamento Grego não traz uma linguagem clássica, mas o grego do povo comum do primeiro século E.C. Contudo, há um aspecto em que é notavelmente distinto, e esse é a abundância de palavras, frases e pensamentos derivados das Escrituras hebraicas. A variedade de palavras hebraicas, construções e frases que ocorrem no texto grego do Novo Testamento, revelam que os homens piedosos que o escreveram, eram verdadeiros judeus, devotos de coração e mente.

4. Se todos os exemplares do Velho Testamento subitamente desaparecessem do mundo, seria possível recuperar muito dele, extraindo-se todas as citações e referências do Velho Testamento que se encontram no Novo! O Novo Testamento contém cerca de 200 citações diretas do Velho, além de numerosas citações esparsas, e ainda um grande número de citações indiretas de, e alusões ao Velho Testamento. A seguinte relação dá o número de citações diretas de vários livros do Velho Testamento, contidas no Novo:

 

Gênesis ----------------------------------- citado = 28 vezes

Êxodo, ------------------------------------- citado = 29 vezes

Levítico, ----------------------------------- citado = 8 vezes

Números, ---------------------------------- citado = 5 vezes

Deuteronômio, ---------------------------- citado = 28 vezes

I e II Samuel, ----------------------------- citado = 3 vezes

I e II Reis, --------------------------------- citado = 4 vezes

Jó, ------------------------------------------- citado = 3 vezes

Salmos, ------------------------------------- citado = 73 vezes

Provérbios, --------------------------------- citado = 11 vezes

Isaias, -------------------------------------- citado = 77 vezes

Jeremias, ----------------------------------- citado = 7 vez

Ezequiel, ----------------------------------- citado = 2 vezes

Daniel, -------------------------------------- citado = 3 vezes

Oséias, ------------------------------------- citado = 8 vezes

Joel, ---------------------------------------- citado = 2 vezes

Amós, -------------------------------------- citado = 2 vezes

Jonas, -------------------------------------- citado = 1 vez

Miquéias, ---------------------------------- citado = 2 vezes

Habacuque, ------------------------------- citado = 3 vezes

Ageu, -------------------------------------- citado = 1 vez

Zacarias, ---------------------------------- citado = 7 vezes

Malaquias, -------------------------------- citado = 3 vezes

 

5. Ambos os Testamentos estão ligados numa íntima e sagrada associação, sem uma única nota discordante entre eles. Ambos esposam a mesma causa de verdade e justiça. Realmente, o Novo Testamento não só reafirma as verdades ensinadas no Velho, mas realça e magnifica sua importância. Enumeremos alguns ensinamentos básicos do Velho Testamento que são proclamados e glorificados no Novo:

a. O Velho Testamento ensina que Deus criou o mundo em seis dias literais e que Ele descansou no sétimo dia. (Gênesis 2:1-3). Esta verdade fundamental da Escritura é reafirmada nó Novo Testamento.

- "As obras (da criação) foram concluídas desde a fundação do mundo. Porque Ele (Deus) falou, em certo lugar, no tocante ao sétimo dia: E descansou Deus no sétimo dia de todas as obras que fizera." Hebreus 4:3-4.

b. A observância do sábado é uma obrigação perpétua. Êxodo 31:16-17. Este dever não foi anulado ou repelido no Novo Testamento mas, antes, foi confirmado.

- "Orai para que a vossa fuga [da Judéia, durante a invasão pelos exércitos romanos] não se dê no inverno, nem no dia de sábado." Mateus 24:20.

c. A criação de Adão e Eva, como descrita na Torah, é reafirmada no Novo Testamento, conforme segue:

- "Não tendes lido (na Torah) que Ele que os criou desde o princípio, os fez homem e mulher?'' Mateus 19:4.

d. O pecado entrou no mundo por meio de um homem - Adão. Este fato é reafirmado:

"Por meio de um homem (Adão) entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte; assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram." Romanos 5:12.

Em Abraão todas as famílias da terra seriam abençoadas. Gênesis 12:1-3; 22:18. Isto é reiterado:

"Em ti serão abençoadas todas as nações da Terra; de modo que os que são da fé, são abençoados com o crente Abraão." Gálatas 3:8-9.

f. Deus confiou ao antigo Israel as verdades essenciais para a salvação de toda a humanidade. Êxodo 19:5-6; Esse importante fato é também realçado.

- "A salvação é dos judeus" (João 4:22) que "são israelitas; pertence-lhes a adoção, e a glória, e as alianças, a doação da lei, e o serviço de Deus e as promessas." Romanos 9:4.

O Novo Testamento considera todo o Velho Testamento, de Moisés a Malaquias, como divinamente inspirado, e ensina que ?i fé nele como a Palavra de Deus é uma das condições para a salvação: "Se não ouvem ma Moisés e aos profetas, tão pouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.'' Lucas 16:31.

6. Uma das mais importantes predições do Velho Testamento é a promessa de Deus de fazer uma nova aliança com Seu povo.

- "Eis que os dias vêm, diz o Senhor, que eu farei uma nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá; não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar do Egito; porquanto eles quebraram a Minha aliança, não obstante Eu os haver desposado, diz o Senhor.

"Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel; depois daqueles dias, diz o Senhor, em suas mentes lhes imprimirei as Minhas leis, também em seus corações lhas escreverei; Eu serei o seu Deus e eles serão o Meu povo." Jeremias 31:31-33 (H).

7. O leitor notará que esta promessa foi feita, não aos gentios, mas à casa de Israel e à casa de Judá. Falhou Deus em firmar essa nova aliança que Ele prometeu a ambas as casas de Israel? Impossível! O Deus de Israel é um Deus mantenedor da aliança. "Porventura, tendo Ele prometido, não o fará? ou tendo Ele falado, não o cumprirá?" Números 23:19 (H). Que a profecia de Jeremias, acima, se cumpre através dos escritos do Novo Testamento, é admitido por muitos pensadores judeus. A citação seguinte, da The Jewish Encyclopedia, vol. 9, pág. 246, é muito relevante:

"O nome de 'Novo Testamento' foi dado... aos evangelhos e a outros escritos apostólicos, em vista de que foram compostos com o propósito de demonstrar que... as profecias messiânicas tiveram cumprimento e um novo concerto... ou dispensação havia sido feito.... A idéia do novo concerto é baseada principalmente em Jeremias 31:31-34."

A própria existência de um livro tal como o Novo Testamento, que hoje está circulando em incontáveis milhares de exemplares, é um testemunho vivo de que Deus se lembrou de Sua promessa de uma Nova Aliança que Ele fizera ao Seu povo.

8. Uma importante profecia que predizia o derramamento de Ruach ha-godesh - o Santo Espírito de Deus - sobre o Seu povo, está registrada no livro de Joel. Citamos:

- "E acontecerá depois que derramarei o Meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões....

"E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do SENHOR, será salvo.'' Joel 3:1, 5 (J).

Joel escreveu seu livro no oitavo século A.E.C. Não há registro nos escritos dos profetas do Velho Testamento que viveram contemporaneamente com o profeta Joel, ou subseqüentemente a esse tempo, em que a predição foi feita, de que essa notável profecia jamais tenha sido cumprida. Quando, então, o Espírito Santo de Deus foi derramado sobre o Seu povo?

- "Quando o dia de Pentecostes (Hag Shabu'oth) chegara, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do Céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados... Todos ficaram cheios do Espírito Santo, e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem. Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, de todas as nações debaixo do céu. Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão que se possuiu de perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua. Estavam, pois, atônitos, e se admiravam, dizendo: 'Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando? E como é que os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?' ... Então se levantou Pedro, com os onze: e, erguendo a voz, advertiu-os nestes termos: Varões de Judéia e todos os habitantes de Jerusalém, tomai conhecimento disto e atentai nas minhas palavras. Estes homens não são embriagados, como vindes pensando, sendo esta apenas a terceira hora do dia; mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel." Atos 2:1-16.

Essa profecia e seu cumprimento é um dos muitos exemplos da interdependência dos dois Testamentos.

9. No último livro do Velho Testamento, o de Malaquias, está registrada outra significativa profecia:

- "Lembrai-vos da lei de Moisés, Meu servo, a qual lhe ordenei em Horebe para todo o Israel, e até estatutos e juízos. Eis que Eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor: ele converterá o coração dos pais e aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que Eu não venha e fira a terra com maldição." Malaquias 3:22-24 (H).

Aqui está uma predição específica feita por um profeta de Deus. É óbvio que esta profecia não teria possibilidade de ser cumprida durante a dispensação do Velho Testamento, sobretudo sendo Malaquias o último dos profetas do Velho Testamento. Judeus religiosos estão aguardando, até o dia de hoje, o retorno de Elias. Em cada Páscoa, durante o ritual do Seder, enche-se uma taça extra com vinho, a chamada "taça de Elias", e coloca-se na mesa; e terminada a refeição, abre-se a porta, em antecipação do aparecimento de Elias.

10. Quando recorremos ao Novo Testamento, aprendemos que a profecia de Malaquias já havia sido literalmente cumprida, em parte.

o "Nos dias de Herodes, rei da Judéia, houve um certo sacerdote chamado Zacarias, do turno de Abias. Sua mulher era das filhas de Arão e se chamava Isabel. Ambos eram justos diante de Deus, vivendo irrepreensivelmente em todos os preceitos e mandamentos do Senhor. E não tinham filho, porque Isabel era estéril, sendo eles de idade avançada. E aconteceu que, exercendo ele diante de Deus o ofício sacerdotal na ordem do seu turno (havia 24 turnos no sistema sacerdotal judaico, nos tempos bíblicos), coube-lhe por sorte, segundo o costume sacerdotal, entrar no santuário do Senhor para queimar o incenso; e, durante esse tempo, toda a multidão do povo permanecia no lado de fora, orando. E eis que lhe apareceu um anjo do Senhor, em pé, à direita do altar do incenso. Vendo-o, Zacarias turbou-se, e apoderou-se dele o temor. Disse-lhe, porém, o anjo: 'Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida; e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho a quem darás o nome de João.... Ele será grande diante do Senhor.... E converterá a muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus. E irá diante dele, no espírito e poder de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, os desobedientes à prudência dos justos e tornar pronto a um povo, preparado para o Senhor." Lucas 1:5-17.

11. Uma das mais relevantes predições do Velho Testamento é encontrada em Deuteronômio 18:15-18 (H). Citamos:

- "O SENHOR teu Deus te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás; segundo tudo o que pediste ao SENHOR teu Deus em Horebe, quando reunido o povo, dizendo: Não ouvirei mais a voz do SENHOR meu Deus, nem me deixes mais ver este grande fogo, para que eu não morra. Então o SENHOR me disse: Falaram bem, aquilo que disseram. Suscitar-lhes-ei um profeta do meio de seus irmãos, semelhante a ti, em cuja boca porei as Minhas palavras; e ele lhes falará tudo o que Eu lhe ordenar."

12. Durante os primeiros 2.500 anos da história humana não havia Bíblia - isto é, nenhuma coleção de divinas revelações reunidas em forma escrita. Durante esse longo período - mais de um terço da história do mundo - o SENHOR falou aos homens através de Seus profetas, e essas divinas revelações da verdade foram preservadas pelos fiéis, e transmitidas oralmente de pai para filho. Mas, ao aproximar-se o tempo do êxodo dos filhos de Israel do Egito e as trevas do paganismo estarem se tornando vastamente espalhadas sobre a Terra, o SENHOR julgou oportuno começar a fazer com que a verdade revelada fosse incorporada nos escritos que agora chamamos de Sagradas Escrituras. Essa obra começou com Moisés. Era plano de Deus que, com o passar dos séculos, mais e mais verdade fosse revelada a Seu povo mediante os profetas e que o corpo de verdade revelada, em forma escrita, fosse assim aumentado. Isto foi dado a conhecer a Israel pelo SENHOR:

- "O SENHOR teu Deus te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás.... Suscitar-lhes-ei um profeta do meio de seus irmãos, semelhante a ti; e Eu porei as Minhas palavras em sua boca, e ele lhes falará tudo o que Eu lhe ordenar. E acontecerá que todo aquele que não ouvir as Minhas palavras que ele falar em Meu nome, disso lhe pedirei contas." Deuteronômio 18:15-19 (J).

Isto torna muito claro que a revelação da verdade divina, por Deus, ao povo de Israel, seria aumentada por meio desse grande profeta que Ele iria suscitar em algum tempo futuro e que Israel deveria saber que as revelações dadas a Seu povo por Moisés, somente, não seriam suficientes para cumprir Seu propósito para eles. Ademais, Ele advertiu Seu povo a ouvir esse futuro profeta.

13. Voltando a nossa atenção para o Novo Testamento, descobrimos o pleno e completo cumprimento da profecia acima de Moisés. Quando nossos antepassados enviaram mensageiros a João o Batista (Johanan ham-Matbil, ou "João o Imersor") - que administrava ao arrependido um rito de imersão semelhante à cerimônia judaica do Mikveh - para indagar:

"Quem és tu? Ele confessou e não negou, mas confessou assim: Eu não sou o Messias. Então lhe perguntaram: Quem és, pois? És tu Elias? Ele disse: Não sou. És tu profeta? Respondeu: Não." João 1:19-21 (Gr.)

14. Tal como uma árvore é conhecida por seus frutos, assim o teste decisivo, tanto do Velho como do Novo Testamento, é sua influência sobre a humanidade. O Velho e o Novo Testamentos constituem a mais poderosa barreira contra o mal, neste mundo. Realmente não fosse pela influência controladora das Escrituras Sagradas, exercida sobre os transgressores da lei de Deus, este mundo de há muito teria mergulhado na mais profunda degradação.

15. O Velho Testamento foi o primeiro a proclamar a Regra Áurea, "Amarás o teu próximo como a ti mesmo''. Levítico 19:18. O Novo Testamento demonstra quão abrangente é esta regra, tornando claro que nosso próximo não é somente a pessoa que vive na casa vizinha, mas qualquer um que esteja em necessidade da ajuda que nós possamos dar. Ler Lucas 10:30-37.

16. Nas Escrituras do Velho Testamento somos informados de que é Deus quem nos dá o poder de aumentar nossas posses materiais. Deuteronômio 8:18. O Novo Testamento leva esse pensamento ainda mais longe, ao declarar que os ricos são mordomos de Deus, cujo dever é beneficiar aqueles que são menos favorecidos - os pobres, os desprivilegiados, os doentes e sofredores. Sob a influência desse ensino, muitas escolas, hospitais, orfanatos, lares para idosos e centros de cultura foram estabelecidos nas mais atrasadas e obscuras regiões do mundo.

17. Milhões de cruzeiros são doados e gastos anualmente por aqueles que amam a Palavra de Deus, a fim de que os ensinamentos dos divinos preceitos registrados no Velho e Novo Testamentos sejam ensinados aos aborígenes, aos que ainda são canibais ou caçadores de cabeça, em remotas regiões da Terra. Assim é que o conhecimento do Deus de Israel está gradual mas seguramente cobrindo as mais distantes fronteiras do planeta, assim como as águas cobrem o oceano. Somente a eternidade revelará o incalculável bem que a circulação das Sagradas Escrituras, em todas as línguas do mundo, tem produzido. Assim, e somente assim, podemos avaliar quantas são as vidas que elas transformaram, a esperança que despertaram, o consolo que proporcionaram e as lágrimas que elas enxugaram.

18. Que mundo frio, triste e desolado seria este sem a Bíblia! É o Livro único que ilumina o caminho. Suas preciosas promessas nos animam a vencermos sobre nossas tendências para o mal, cultivadas ou herdadas, e apontam o caminho para aquele mundo melhor, o reino eterno de Deus, onde tudo será luz e alegria, e onde tudo que nos tem inquietado e perturbado aqui, será esclarecido. Nunca devemos deixar de agradecer a Deus por Sua bela carta de amor a nós - Sua Palavra, as Santas Escrituras - as quais, conforme temos aprendido, consistem do Velho e Novo Testamentos.

O Deus de Abraão uniu os dois para nossa instrução, a fim de que pudéssemos ser edificados, confortados e abençoados. A Bíblia, em sua inteireza, consistindo tanto do Velho como do Novo Testamento, é um dos mais preciosos dons que o Céu poderia nos conceder. Ambos estão em perfeita harmonia, e ambos formam uma perfeita unidade.

 

INSTITUTO DA HERANÇA JUDAICA

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