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Monte Sinai

 
20 - A Profecia dos 490 anos...

 

 

 

1. NESTES dias de crescente conhecimento, homens e mulheres não estão interessados em boatos, todos desejam fatos. Isto se aplica particularmente à questão do Messias. E com respeito a isso, Deus não nos deixou em trevas. Ele nos deu evidências necessárias quanto à identidade do Messias em Sua santa Palavra, a Bíblia.

2. A Santa Bíblia é uma grande luz que ilumina o futuro. Isto é tornado claro no Salmo 119:105, onde se lê:

- "Lâmpada para os meus pés é a Tua palavra, e luz para o meu caminho."

3. A razão por que muitos homens e mulheres estão vivendo em grandes trevas com respeito ao futuro do plano eterno de Deus é porque não são estudantes da Bíblia. Hoje em dia não se encontram Bíblias em muitas casas, e na maioria dos lares onde as encontramos, estas estão guardadas num canto empoeirado, recebendo mais pó.

É lamentável que as Escrituras não estejam sendo lidas e estudadas. O Senhor nos assegurou que se estudamos zelosamente Sua Palavra, Ele nos revelará o futuro, seus raios de luz incidirão sobre o nosso caminho para que possamos saber aonde vamos. Com respeito aos dias vindouros, Deus declarou:

- "Eis que as primeiras predições já se cumpriram e novas coisas Eu vos anuncio; e, antes que sucedam, Eu vo-las farei ouvir." Isaías 42:9 (J).

Lemos também do mesmo profeta hebreu:

"Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade; que Eu sou Deus.... E não há outro semelhante a Mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam." Isaías 46:9, 10 (J).

4. Do mesmo modo que nosso eterno Deus conhece todas as coisas, o futuro está igualmente presente com Ele. Talvez mais do que qualquer outra coisa, as profecias bíblicas e seu cumprimento testemunham de sua divina inspiração. Portanto, o homem não precisa ficar imaginando Ele pode conhecer o futuro se diligentemente estudar as Escrituras Sagradas. Lemos com respeito a isto:

- "Certamente o SENHOR ETERNO não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o Seu segredo aos Seus servos, os profetas." Amós 3:7 (L). Se, pois, Deus nada faz a menos que revele Seu segredo aos Seus servos, os profetas, podemos crer que um acontecimento tão importante quanto a vinda do Messias, deve certamente ter sido revelado. E isso é o que foi feito. Deus não apenas revelou a identidade do Messias, mas revelou também o próprio ano em que o Messias haveria de vir. Pense nisso: o próprio ano do aparecimento do Messias foi predito, e Daniel foi o servo escolhido por Deus mediante quem isso foi dado a conhecer. Mas, primeiro que tudo, leiamos na santa Toráh essas palavras de Moisés:

- "As coisas encobertas pertencem ao SENHOR nosso Deus; porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre." Deuteronômio 29:28 (J).

 

Predito o Ano da Vinda do Messias

5. Consideremos agora o que Deus nos tem revelado sobre esta importante questão. Um cuidadoso estudo da importantíssima profecia de Daniel 9.24-27 revela que há dois principais acontecimentos mencionados em conexão com o advento do Messias:

(1) A restauração da cidade de Jerusalém, o Templo a ser reedificado, e o.povo de Israel retornando ao lar do cativeiro em Babilônia;

(2) A destruição de Jerusalém, o Templo a ser destruído, e o povo de Israel a ser expulso de sua Terra.

6. Sabemos muito bem que o povo de Israel esteve no cativeiro babilônico por 70 anos. Retornou, porém, à sua terra natal e reedificou a cidade de Jerusalém e seu Templo. Seu cativeiro de 70 anos fora predito pelo profeta hebreu Jeremias, e a profecia foi cumprida com precisão quando os judeus retornaram à sua terra natal.

7. Em 70 E. C. Jerusalém e o Templo foram destruídos pelos romanos, e o povo de Israel foi expulso de sua terra para tornar-se uma nação de peregrinos por todo o mundo.

8. A profecia verdadeira de Daniel sobre a vinda do Messias é encontrada no que é conhecido como o período profético das 70 semanas, ou 490 anos (Daniel 9:24-27). Este período deveria começar com três acontecimentos:

(1) A restauração do povo de Israel à sua terra natal (verso 25).

(2) A reconstrução de Jerusalém (verso 25).

(3) A reconstrução do Templo (verso 25). O encerramento do período profético é seguido (em 70 E. C.) por três eventos:

(1) A destruição do Templo (versos 26, 27).

(2) A destruição de Jerusalém (versos 26, 27).

(3) A dispersão dos judeus de sua terra natal (versos 26, 27).

9. Todas essas coisas tiveram lugar no princípio e fim desta maravilhosa profecia, como predito. Mas o que deveria acontecer durante esses 490? Se o início, e seqüência, da profecia foram cumpridas com precisão - e lembre-se de que foi escrita quase 600 anos antes que os acontecimentos se dessem - então a profecia do que deveria acontecer durante esse período igualmente haveria de cumprir-se com exatidão. Com respeito a isso, todos devemos concordar.

10. Como judeus, devemos admitir que esperamos vários milênios pela vinda do Messias e, não obstante essa expectativa ardente, ele não veio. Por tal razão, um grande número dentre o nosso povo desistiu de toda esperança de que Ele haverá de vir e muitos até perderem a fé em sua religião.

11. Nosso Santa Bíblia não somente contém profecia que prediz o ano da vinda do Messias, mas também fornece o nome pelo qual Ele haveria de ser conhecido. Ademais, fala-nos de como podemos saber se Ele veio ou não.

12. Lemos na Bíblia estas palavras registradas por Moisés:

- "O cetro não se arredará de Judá, nem o bastão de entre seus pés, até que venha Shiloh, e a Ele obedecerão os povos." Gênesis 49:10 (L).

13. A respeito desta declaração profética, lemos nos escritos dos antigos sábios hebreus:

"O cetro [vara] não se apartará de Judá é uma alusão ao Messias, filho de Davi," etc. - Midrash Rabbah, sobre Gênesis, cap. 97, NV (vol. 2 p. 906 da edição Soncino, edição 1961).

14. Se essas declarações forem verdadeiras, não está claro que o Messias viria antes que o reino de Judá não mais existisse? O último monarca para reinar sobre Israel foi o Rei Herodes Agripa I que morreu em 44 E. C. Desse dia em diante nunca tivemos um rei que conservasse o cetro sobre a Judéia. O que significa isso para nós como judeus? Poderia significar que o Messias veio e não o soubemos? Antes de respondermos a esta pergunta, leiamos de um livro de orações judaico usado no Dia da Expiação. Note esta declaração cuidadosamente e então leia-a novamente:

"Nosso justo ungido [Messias] apartou-se de nós: o horror nos dominou e a ninguém temos para justificar-nos. Ele suportou o jugo de nossas iniqüidades, e nossa transgressão, e está ferido por causa de nossas transgressões. Ele sustenta nossos pecados sobre os seus ombros a fim de que possamos encontrar perdão para nossas iniqüidades. Seremos curados por suas feridas ao tempo em que o Eterno o criará (o Messias) como uma nova criatura. Oh, trazei-O acima do círculo da Terra. Elevai-O de Seir para nos ajuntarmos a segunda vez sobre o Monte Lenanon, pela mão de Yinnon." - Mahsor, Livro de Oração para o Dia da Expiação (trad. de A. Th. Philips), p. 239 (Hebrew Publishing Co., New York City).

Não é isto um reconhecimento tácito de que Ele - o Messias - já veio uma vez e, além disso, de que deverá vir novamente?

De que "Yinnon" refere-se ao Messias está claro, segundo o Talmude:

"Qual é o seu [do Messias] nome? - A escola de R. Shila dizia: Seu nome é Shiloh, pois está escrito, até que venha Shiloh. A escola de R. Yannai dizia. Seu nome é Yinnon, pois está escrito, Seu nome durará para sempre: enquanto o sol durar, seu nome é Yinnon." Sanhedrin, 98b p. 667 da edição Soncino.

O mesmo pensamento é realçado nesta declaração:

"Donde sabemos com respeito ao Rei Messias? Porque é dito, "Seu nome durará para sempre. Enquanto o sol durar, seu nome continuará (Yinnon)" (Sal. 71:17). Por que seu nome veio a ser Yinnon? - Porque ele despertará aqueles que dormem no Hebrom do pó da terra, portanto seu nome é Yinnon, como é dito, 'Perante o sol seu nome é Yinnon!' (Ibid.)'' - Pirke de Rabbi Eliezer. - Traduzido por G. Friedlander, p. 233 (publicado pela Bloch Publishing Co., New York City: 1916).

 

A Visão de Daniel

15. Estudemos cuidadosamente agora esta profecia dos 490 anos em maiores detalhes; isto deveria trazer grande alegria para todos os nossos corações. Lemos:

- "No primeiro ano de Dario, filho de Assuero, da linhagem dos medos, o qual foi constituído rei sobre o reino dos caldeus, no primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel entendi, pelos livros, que o número de anos, de que falara o SENHOR ao profeta Jeremias [em Jeremias 25:11, 12; 29:10], em que haviam de durar as assolações de Jerusalém, era de setenta anos." Daniel 9:1, 2 (H).

Daniel sabia que os 70 anos do cativeiro babilônico dos judeus estava perto de terminar e assim ele orou a Deus para que a prometida restauração tivesse lugar:

- "Voltei o meu rosto ao Senhor Deus, para 0 buscar com oração e súplicas, com jejum, pano de saco e cinza. Orei ao SENHOR meu Deus, confessei, e disse: Ah! Senhor! Deus grande e temível, que guardas a aliança e a misericórdia para com os que Te amam e guardam os Teus mandamentos; temos pecado e cometido iniquidades, procedemos perversamente, e fomos rebeldes, apartando-nos dos Teus mandamentos e dos Teus juízos; não demos ouvidos aos Teus servos, os profetas; ... Falava eu ainda, e orava, e confessava o meu pecado e o pecado do meu povo Israel, e lançava a minha súplica perante a face do SENHOR, meu Deus, pelo monte santo do meu Deus, sim, enquanto eu falava na oração, quando o homem Gabriel, que eu tinha visto na minha visão ao princípio, veio rapidamente voando, e me tocou à hora do sacrifício da tarde.' Daniel 9:3-5, 20, 21 (H).

16. Quão rápido respondeu Deus à súplica de Seu servo, pois enviou o anjo Gabriel para fazer Daniel saber o que ele e seu povo precisavam saber. 0 profeta diz:

e "E ele [Gabriel] me informou, e 'falou comigo, e disse: Daniel, eu vim agora para tornar-te sábio, com entendimento. No início das tuas súplicas saiu a ordem e eu vira para esclarecer-te; porque tu és mui amado: portanto, entende o assunto e considera a visão.'' Daniel 9:22, 23 (H).

17. 0 mensageiro celestial diz: ''Daniel, agora saí para fazer-te entender o sentido." Logo mais ele diz: "Portanto, entende o assunto e considera a visão." Esta palavra "entende" é repetida três vezes. Deve haver algo importante a respeito desta profecia para esta palavra ser repetida várias vezes. Uma vez que esta profecia é de tão vital importância, citaremos da Bíblia hebraica, fazendo uma tradução literal para o vernáculo:

"Setenta semanas foram separadas para o teu povo e para a tua santa cidade a fim de terminar a transgressão, e dar um fim aos pecados, e fazer expiação pela iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e para selar a visão e profecia, e para ungir o santíssimo. Sabe e entende: Desde a saída da ordem para restaurar e reedificar Jerusalém até o Príncipe Messias (serão) sete semanas e sessenta e duas semanas; será restaurada e construída uma ampla rua e um fosso, e em tempos angustiosos. Depois das sessenta e duas semanas o Messias será cortado, e não por Si mesmo; e o povo do príncipe que virá destruirá a cidade e o santuário, e o fim dele (será) com um dilúvio, e até o fim da guerra desolações estão determinadas. t Ele confirmará urna aliança com muitos por uma semana; e no meio da semana Ele fará com que o sacrifício e a oblação cessem; e devido às difundidas abominações Ele fará desolado, e até a consumação, e o que está determinado será derramado sobre o desolado''. Daniel 9.24-27. cf. texto original hebraico.

Mas o que a expressão "setenta semanas" significa? A palavra hebraica corretamente traduzida no vernáculo como "semanas" é shabu'im em Daniel 9:24. Ela indica uma unidade de sete, e tanto pode se referir a um período de sete dias corno de sele anos. Qual das duas tem o sentido intencionado deve ser decidido pelo emprego do contexto. Eis aqui alguns fatos para consideração:

(a) Em seu comentário sobre Daniel 9:24, o Dr. Judah B. Slotki diz, com respeito às "setenta serranas" que elas representam 490 anos (7 x 70 = 490), e que esta profecia e "urna alusão à era messiânica". Ver seu livro Daniel, Ezra, Nehemiah, p. 77-79 (edição Soncino de 1966). Ele diz também: "A fraseologia críptica pode ter sido sugerida pelo ciclo de sete anos de Lev. XXV. A expressão 'semana de anos' ocorre na Mishnah (Santi. v. 1)." - Id., p. 77.

(b) Isaac Leeser, destacado erudito hebreu e tradutor da Bíblia, declarou: "Antigos escritores judaicos pensavam que o segundo templo manteve-se em pé por 420 anos, o que com os 70 anos de cativeiro babilônico fazem 490 anos". - The Twenty-four Books of the Holy Scriptures, sexta edição, p. 907 (Bloch Publishing Co., New York City: 1914).

(c) 0 tratado talmúdico Nazir 32b (p. 118 da edição Soncino de 1936) traz uma nota de rodapé editorial (n° 6) que se refere a Daniel 9:24-27 e declara:

"Esta profecia foi pronunciada no início dos 70 arcos de cativeiro em Babilônia. Desde a restauração até a segunda destruição é dito terem transcorrido 420 anos, completando 490 ao todo, i.e., 70 semanas de anos".

(d) No Midrasld Rabbah, sobre Lamentações, Proems (p. 65 da edição Soncino de 1951), Daniel 9:27 é citado, e numa nota de rodapé editorial (n° 2) há o comentário: "'Semana' representa um período de sete anos".

(e) 0 tratado talmúdico Yoma 54a (p. 254 da edição Soncino de 1938) cita Daniel 9.27, e numa nota de rodapé editorial (n° 6) comenta que "'uma semana' em Daniel IX significa uma semana de anos".

 

Saída de Babilônia

18. Dos escritos judaicos acima torna-se claro que nossos sábios hebreus entenderam que Deus havia determinado para o Seu povo 70 semanas de anos - um total de 490 anos - nos quais traria a efeito a justiça eterna. Note outra vez o verso 25, onde a palavra "entende" é usada pela terceira vez:

- "Sabe, e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Príncipe Messias (será) sete semanas [de anos] e sessenta e duas semanas [de anos]".

19. Sendo assim, precisamos agora descobrir quando a ordem, ou decreto, para restaurar e edificar Jerusalém foi emitida. Uma vez que isso seja estabelecido, podemos seguramente saber quando o Messias deveria aparecer. Leiamos as próprias palavras desse decreto:

- "Artaxerxes, rei dos reis, ao sacerdote Esdras, escriba da lei de Deus do Céu: Paz perfeita! Por mim se decreta que no meu reino todo aquele do povo de Israel, e dos seus sacerdotes e levitas, que quiser ir contigo a Jerusalém, vá ... Bendito seja o SENHOR Deus de nossos pais, que deste modo moveu o coração do rei para ornar a Casa do SENHOR, a qual está em Jerusalém". Esdras 7:12, 13, 27 (J).

20. Esse decreto emitido por Artaxerxes 1 (Longímano), rei da Pérsia, foi posto em execução em 457 A.E.C. Ver Esdras 7:7-9; 8:31-33. É verdade que alguns comentaristas têm atribuído outras datas para isso, mas estes têm passado por alto um importante fato. Três reis persas tiveram parte na restauração e reconstrução de Jerusalém após o exílio babilônico do povo judeu, e sua obra não foi completada até que esse decreto do rei Artaxerxes foi posto em efeito. 0 rei Ciro emitiu seu decreto em 537 A.E.C. (Esdras 1:1-4; II Crônicas 36:22, 23); o rei Dario I (Histaspes) por volta de 518 A.E.C. (Esdras 6:1-12); e o rei Artaxerxes I (Longímano), em 457 A.E.C. (Esdras 7:1-26). Foram necessários esses três decretos reais para constituir efetivamente uma "ordem para restaurar e para' edificar Jerusalém" em cumprimento de Daniel 9:24-27. Isto é muito claro pelo registro bíblico:

 

Três Decretos de Restauração

- "Edificaram a casa e a terminaram segundo o mandamento do Deus de Israel, e segundo o decreto de Ciro, de Dario, e de Artaxerxes, rei da Pérsia". Esdras 6:14 (J).

Em outras palavras, foram necessários os três decretos reais para pôr em efeito "o mandamento do Deus de Israel", e a restauração de Jerusalém não poderia ser completada até que o terceiro decreto saísse em 457 A.E.C. A estas alturas será bom observar o gráfico da p. 7. Isso nos possibilitará compreender o assunto com muito mais clareza. Reconhecendo o ponto inicial desta profecia como sendo o outono de 457 A.E.C., leiamos novamente:

- "Setenta semanas [de anos] estão determinados sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniqüidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia, e para ungir o Santo dos Santos". Daniel 9.24 (H).

21. Essas 70 semanas de anos, portanto, foram determinadas para o povo judaico a fim de terminar suas transgressões, trazer a justiça eterna e ungir o santíssimo.

22. As 70 semanas de anos são literalmente 490 anos. Assim, 490 anos foram determinados para nosso povo desde a saída do decreto final em 457 A.E.C. para restaurar e edificar Jerusalém e para pôr todas as coisas em ordem para com Deus. Reconhecendo-se que a ordem para restaurar e edificar Jerusalém tornou-se vigente no outono de 457 A.E.C., prontamente se verá (ver p. 7) que acrescentando-se 490 anos a essa data ela nos leva ao outono de 34 E.C., o fim do período de tempo determinado para o povo judeu acertar todas as coisas entre eles e o seu Deus. Leiamos novamente Daniel:

o "Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém até ao Príncipe Messias [será] sete semanas [de anos] e sessenta e duas semanas [de anos]". Dan. 9.25.

 

Problema de Pontuação

23. Antes de maiores comentários sobre esta profecia bíblica, notemos que muitos estudantes confrontam-se com sérios problemas com respeito às várias traduções deste texto em diferentes versões bíblicas. Algumas versões pontuam o texto duma maneira, e outras, de modo diverso. A pontuação afeta grandemente a interpretação. Assim, temos que decidir qual é a pontuação correta a fim de ter certeza de qual é o significado correto.

24. Os sinais de pontuação na Bíblia não passaram a ter um uso geral até o oitavo século E.C. Nas Bíblias hebraicas, esses sinais de pontuação foram acrescentados por um grupo de eruditos bíblicos hebreus conhecidos como massoretas. Eles procuraram inserir na Palavra Escrita a interpretação tradicional tanto quanto a pronúncia e pontuação. Esses sinais massoréticos ainda são mantidos nas Bíblias hebraicas usadas hoje.

25. Um exame do texto hebraico em Daniel 9:25 revela que ao final das palavras .,sete semanas" os massoretas colocaram um sinal de interrupção, chamado um athnach, que corresponde ao nosso ponto-e-vírgula. O fato de os massoretas inserirem esses sinais de pontuação ao final das palavras "sete semanas'', indica que queriam situar as sete semanas como um período diferente e separado do período seguinte das 62 semanas. Pareceria que os massoretas fizeram,ìsso para confundir o estudante da Bíblia no que concerne à profecia do tempo da primeira vinda do Messias. Podemos ficar surpresos de que nossos líderes espirituais judaicos não hajam tentado eliminar a confusão criada por nossos antepassados com respeito a esta profecia de tempo.

26. Para o benefício daqueles que podem julgar que estamos sendo demasiado drásticos nesta afirmação, vamos referir-nos a uma passagem talmúdica indubitavelmente escrita por uma pessoa que sabia muito sobre esta profecia de tempo e que escreveu estas palavras proibindo nosso povo judeu de estudá-la. Lemos:

"R. Samuel B. Nahmani em nome de R. Jonathan: Sequem-se os ossos daqueles que calculam o fim". - Sanhedrin 97b (vol. 2, p. 659 da edição Soncino de 1935). A nota de rodapé editorial de n° 6 declara: "I.e., o advento do Messias".

27. Voltando à questão da pontuação, há evidência antiga para colocar a pontuação de interrupção ao final das palavras "sessenta e duas semanas'", como o fazem algumas versões vernáculas. Por exemplo, a Septuaginta (que é a Bíblia hebraica traduzida para o grego por 70 rabinos no terceiro século A.E.C.) apresenta em edições posteriores os sinais de pontuação após as 62 semanas, assim como ocorre em algumas versões modernas. Desse modo está em Daniel, no texto grego de Teodocião. Os sinais de pontuação nas Bíblias gregas são mais antigos que os sinais massoréticos das Bíblias hebréias. A Peshitta, que é a Bíblia siríaca escrita por volta do segundo século E.C. concorda com a Septuaginta ao colocar o sinal de pontuação após o período de 62 semanas, incluindo, assim, as sete semanas para fazerem o período todo corresponder a 69 semanas.

28. Geralmente falando, a pontuação deve ser determinada pelo sentido da passagem que concorda com a intenção do escritor e que se harmoniza com outras passagens bíblicas. As interpretações daqueles que negam a importância messiânica dessa passagem passam por alto certos fatores essenciais de história e contexto.

29. Evidência conclusiva do fato de que as sete semanas e 62 semanas de Daniel 9:24 devem ser consideradas uma unidade cronológica de 69 semanas está implícita no contexto (versos 24-27). As 70 semanas de Daniel 9:24-27 começaram em 457 A.E.C. Ao tempo da oração e visão do capítulo 9, Jerusalém jazia desolada (versos 2, 11, 12, 16-19). Em resposta à oração de Daniel, o anjo Gabriel assegurou-o de que a cidade seria edificada (versos 24, 25). Esta predição foi cumprida em 457 A.E.C., quando Artaxerxes I emitiu seu decreto para a completa restauração da cidade (Esdras 5:13, 6:1, 14, 15; 7:8-28). O destino de Jerusalém e seu Templo - a desolação e restauração - constitui o tema do capítulo (Daniel 9:2, 16, 17, 19, 25-27). Logo após o final das 70 semanas, Jerusalém deveria ser novamente desolada. Este fato Daniel reiteira para realce e clareza (versos 26, 27). Yeshua declarou especificamente que a desolação assim predita era um evento futuro em Seus dias (Mateus 23:38; 24:3, 15-20, Marcos 13:14, Lucas 21:20-24).

30. Como já demonstrado de fontes judaicas, essas semanas em Daniel 9:24-27 devem ser consideradas semanas de anos, porque a história revela o fato de que Jerusalém e seu Templo não foram restaurados e edificados em sete semanas literais, nem em 62 semanas literais. Realmente, foram requeridos aproximadamente 49 anos literais. Se devêssemos aceitar a versão seguinte, a questão tornar-se-ia ainda mais confusa:

- ''Sabe, pois, e discerne, que da saída da palavra para restaurar e edificar Jerusalém para uri ungido, um príncipe, serão sete serranas; e por sessenta e duas semanas será edificada novamente, com amplos lugares e fossos, mas em tempos angustiosos." (J)

 

31. Aceitando-se o ponto de vista estabelecido em fontes judaicas autênticas de que a profecia fala de "semanas de anos", e não semanas de dias, devemos concluir que este período de tempo seria de 49 anos, mais 434 anos, fazendo um total de 483 anos. Isto significaria, segundo a Bíblia judaica da qual acabamos de citar, que o Messias teria vindo ao final das sete semanas ou 49 anos e morreria ou seria eliminado após 434 anos! Note-se como o verso 26 reza nessa versão:

- "E após as sessenta e duas semanas o ungido será retirado." (J)

32. Sendo que sessenta e duas semanas equivalem a 62 semanas de anos ou 434 anos, isso significaria que o Messias teria que ter vivido mais de 400 anos, e então ser oferecido como um sacrifício a fim de tornar-Se o Redentor e Salvador dos pecadores! Desse modo, pode-se ver que colocando-se os sinais de pontuação no lugar errado tem-se uma profecia serra sentido. Isso somente pode servir para ocultar o verdadeiro sentido da profecia. Para prová-lo, leiamos agora Daniel 9:25 como está corretamente traduzido do hebraico, mas ignorando os errôneos sinais massoréticos de pontuação:

- "Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e edificar Jerusalém até o Príncipe Messias [serão] sete semanas e 62 semanas."

33. Agora a profecia é simples e fácil de entender, porque sete semanas de anos e 62 semanas de anos dão-nos um total de 483 anos literais da saída da ordem para restaurar e edificar Jerusalém até o tempo do Messias. É bom notar que esta profecia foi cumprida no ano exato por Yeshua, o Messias.

 

O Advento do Messias

34. Consideremos novamente o gráfico. Acrescentem-se esses 483 anos ao tempo em que a ordem para restaurar e edificar Jerusalém saiu, que se refere ao outono de 457 A.E.C. Isso nos traz ao ano 27 E.C., o exato ano designado por Deus para que o Messias fizesse Sua aparição pública. No tempo designado para que todos os sacerdotes judeus ingressassem no sacerdócio, 30 anos de idade, o Messias apareceu. Sua aparição pública para iniciar Seu ministério começou no Rio Jordão onde João estava imergindo pessoas arrependidas em água mediante um rito que em certos respeitos assemelhava-se à Mikveh hoje. Lemos:

- "Então Yeshua, vem da Galiléia para onde estava João, junto ao Jordão, a fim de ser imerso por ele. Mas ele [João] o proibiu, dizendo: eu tenho necessidade de ser imerso por Ti, e Tu vens a mim? E respondendo lhe Yeshua disse: Permita-o agora; pois assim convém cumprirmos toda a justiça. Então ele O permitiu. E tendo sido imerso, Yeshua saiu imediatamente da água; e eis que os céus foram abertos, e ele viu o Espírito de Deus descendo como uma pomba, [e] vindo sobre Ele. E eis que uma voz do céu dizia: Este é o Meu Filho amado, em quem Me tenho comprazido. Mateus 3:13-17, traduzido diretamente do texto grego.

35. ''João vê Yeshua vindo para ele, e declara: Eis o Cordeiro de Deus, aquele que leva o pecado do mundo." João 1:29 (Gr.)"

36. O Messias apareceu no tempo exato designado por Deus para que iniciasse o Seu ministério, no ano 27 E.C.

37. Agora lemos novamente de Daniel:

- ''E após as 62 serranas [de anos] o Messias será tirado, e não por Si mesmo....

E Ele confirmará a aliança corri muitos por uma semana [de anos], e na metade da semana Ele fará cessar o sacrifício e a oblação." Daniel 9:26, 27 (cf. texto hebraico). 38. Disso aprendermos que o Messias deveria confirmar a aliança com muitos por mais uma semana de anos, ou sete anos - a sétima e última das setenta semanas determinadas para a nação judaica. Voltando ao gráfico, perceberá que o Messias apareceu no tempo certo em 27 E.C. para iniciar o Seis ministério. Acrescentando esta semana de anos, ou sete anos, a 27 E.C. chegamos a 34 E.C., que marca o fim do período de. 490 anos.

39. Recapitulemos. Primeiro, descobrimos que Deus determinara 490 anos para o povo judaico reconstruir a cidade de Jerusalém e pôr todas as coisas em ordem. Então descobrimos que Deus disse que desde a saída da ordem para restaurar e edificar Jerusalém, até o Messias, seriam 483 anos. Deduzindo-se os 483 dos 490 anos designados ao povo judeu, temos exatamente sete anos ou uma semana de anos remanescente. Desse modo, este é o tempo referido na profecia em que o Messias confirmaria a aliança com muitos por uma semana de anos ou sete anos. Mas no meio dessa semana de anos, ou no meio dos sete anos, Ele faria cessar o sacrifício e a oblação. De que modo? Isto é tornado claro no verso 26, onde é dito:

 

Predita a Morte do Messias

- "O Messias será tirado, e não por Si mesmo." Daniel 9:26 (cf. texto hebraico). Em outras palavras, o Messias deveria ser tirado, ou entregue à morte, não por causa de Si mesmo, mas pelos pecados do povo. Quando devia isso ter lugar? Na metade da septuagésima semana de anos. Qual é o meio, ou o ponto central, de uma semana de anos, ou sete anos? A resposta é óbvia - três anos e meio. Agora, volvendo-nos aos primeiros registros da E.C. descobrimos que Yeshua, o Messias, levou a efeito Seu ministério por três anos e meio ensinando o povo, curando os enfermos, ressuscitando os mortos, confortando os entristecidos e realizando muitos outros milagres durante este período. Ele era muito mais do que um mero homem: Ele provou que era o Filho de Deus, o Messias, nosso Salvador e Redentor.

40. Ao final de Seu ministério de três anos e meio, o exato tempo designado por Deus, na primavera - no início da estação da Páscoa - em 31 E. C. o Messias foi crucificado pelos soldados romanos. Foi crucificado num lugar conhecido como Monte Calvário, ou lugar da Caveira. Essa ocorrência não foi um mero acidente. Ao considerarmos o registro maravilhamo-nos com a exatidão dessa profecia. Consideremos ainda outro aspecto. Os fatos se passaram de tal maneira que o Messias foi crucificado no próprio tempo em que o cordeiro pascal era morto como um sacrifício.

Outro importante aspecto desta profecia é a parte que diz respeito à restauração e destruição de Jerusalém e o Templo, como está registrado nestas palavras:

- "Sabe, e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até o Príncipe Messias [será] sete semanas [de anos] e 62 semanas [de anos]; será restaurado e construída uma larga rua e um fosso, em tempos angustiosos." Daniel 9:25.

 

Predita a Destruição de Jerusalém

- "O povo [Romano] do príncipe [Tito] que há de vir, destruirá a cidade [Jerusalém] e o santuário [Templo], e o seu fim [será] com um dilúvio e, até o fim da guerra, desolações [como resultado] estão determinadas.... Sob as asas da abominação assoladora ele [Tito] causará desolação, até o fim; e o que está determinado [na profecia] se derramará sobre o desolado." Daniel 9:26.

Nosso povo judaico esteve no cativeiro em Babilônia por 70 anos. Durante esse tempo Daniel foi informado numa mensagem vinda de Deus de que retornariam a sua terra natal para restaurarem e reedificarem a cidade de Jerusalém. O decreto final foi emitido para esse propósito pelo Rei Artaxerxes I em 457 A.E.C.

Deus declara que após a restauração o Messias haveria de vir. Daniel 9:25 declara:

- "Sabe, e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até o Príncipe Messias [será] sete semanas [de anos]; e sessenta e duas semanas [de anos]."

O divino pronunciamento foi de que, após a vinda do Messias, Jerusalém e seu Templo seriam destruídos pela guerra:

"0 povo [romano] de um príncipe [Tito], que há de vir destruirá a cidade [Jerusalém] e o santuário [o Templo], e o seu fim [será] como um dilúvio, e até o fim da guerra, desolações [como resultado] estão determinadas.... Sob as asas da abominação assoladora ele [rito] causará desolação [em 70 E. C.], até o fim; e o que está determinado [na profecia] se derramará sobre o desolado [Jerusalém]."

A história claramente testifica da exata confirmação desta profecia que nos foi dada por Deus aproximadamente 600 anos antes de seu completo cumprimento.

41. O sistema sacrifical do passado apontava ao Messias, que viria e morreria por nossos pecados. Todos os sacrifícios oferecidos desde os dias de Adão até ao tempo de Moisés, e daí para a frente, até o tempo do Messias, apontavam para o Cordeiro de Deus que haveria de vir para morrer por nossos pecados. Nesse ato Ele expiaria tanto a culpa quanto a penalidade do pecado. Mas observe que o Messias morreu no exato período em que os cordeiros da Páscoa eram mortos no átrio do Templo. Por Sua morte Ele pôs um fim, de uma vez por todas, ao sistema sacrifical. Com respeito a Sua crucifixão e morte, lemos.

- "E, Yeshua, novamente clamando com uma alta voz, entregou Seu espírito. E, eis que o véu do Templo foi rasgado em dois desde o alto até embaixo, e a terra tremeu e as rochas se partiram." Mateus 28:50, 51 (Gr.).

42. Quão significativo é esse registro - de que quando o Messias morria na cruz, o véu do Templo era rasgado de alto a baixo, a terra tremeu e as rochas se partiram. Nisso, o próprio Deus demonstrava aos sacerdotes ministradores no Templo que havia chegado o tempo para que cessasse o sistema sacrifical.

43. Yeshua, o Messias, foi morto na tarde da sexta-feira, permaneceu na tumba no sábado e no domingo de manhã algumas das mulheres seguidoras do Messias vieram até a sepultura onde Ele fora sepultado. Com respeito a isso, lemos:

- "E respondendo, o anjo disse às mulheres. Não temais; pois eu sei que procurais Yeshua, o que foi crucificado. Ele não está aqui pois ressuscitou, como dissera. Vinde e vede o lugar onde Ele jazia.'' Mateus 28:5, 6 (Gr.).

44. Depois o Messias apareceu a Seus discípulos e disse:

- "Vede as Minhas mãos e os Meus pés, que sou Eu mesmo; apalpai-Me e verificai, porque um espírito não tem carne, nem ossos, como vedes que Eu tenho. Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E, por não acreditarem eles ainda, por causa da alegria, e estando admirados, Ele lhes disse: Tendes aqui alguma carne para comer? Então Lhe apresentaram um pedaço de peixe assado e de um favo de mel. E Ele comeu na presença deles. A seguir lhes disse: São estas as palavras que Eu vos falei, estando ainda convosco, que importava que se cumprisse tudo o que de Mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. Então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras." Lucas 24:3945.

 

A Exatidão da Profecia

45. Assim o Messias foi crucificado no próprio tempo designado por Deus e levantou-se dentre os mortos ao terceiro dia. Yeshua indubitavelmente chamou a atenção os dois discípulos no caminho de Emaús às profecias da Bíblia hebraica que diziam respeito à Sua crucifixão. Entre tais profecias haviam estas:

- "Uma súcia de malfeitores Me rodeia; traspassaram-Me as mãos e os pés." Salmo 22:17 (H).

- "Olharão para Mim a quem traspassaram." Zacarias 12:10 (Heb.)

- "Se alguém Lhe disser: Que feridas são essas em Tuas mãos? responderá ele: São as feridas com que fui ferido na casa dos Meus amigos." Zacarias 13:6 (H).

46. O Messias foi crucificado três anos e meio após ter iniciado Seu ministério, ou seja, na primavera de 31 E.C. Dessa data até o fim do tempo determinado ao povo judeu, que foi o outono de 34 E.C., temos de resto exatamente três anos e meio. A Bíblia declarou que Ele iria confirmar a aliança com muitos por uma semana de anos. Isso deixa três anos e meio desde o tempo da morte e ressurreição do Messias até o fim do tempo determinado a nossos antepassados. Que acontecimento se deu em 34 E.C.?

 

O Ministério dos Apóstolos a Israel 3 1/2 Anos Adicionais

47. Muitos milhares de judeus aceitaram o seu Messias durante os três anos e meio que restaram. A História registra que cerca de 3.000 aceitaram Yeshua o Messias judaico, num só dia (Atos 2:41) e o número de homens logo aumentou para 5.000 (Atos 4:4), "também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé" (Atos 6:7). A maioria do povo judaico, contudo, não o fez. Em lugar de aceitar a yeshua como o Messias, muitos começaram a perseguir os que O aceitaram e a expulsá-los do país. Mas ao serem os fiéis espalhados para vários países, levaram consigo a mensagem do verdadeiro Messias. Dessa maneira muitas pessoas das nações aceitaram o Messias judaico.

48. Paremos para pensar por alguns momentos. Permaneçamos tranqüilos para que nossas mentes possam permanecer claras ao meditarmos sobre essa grande profecia que Deus concedeu ao profeta hebreu Daniel com respeito ao Messias. Nesta exata profecia o SENHOR esboçou a história de Israel por 490 anos e revelou que durante esse período o Messias deveria vir. Esta profecia de tempo é tão convincente e indiscutível que todos temos de admitir que ou o Messias veio ou jamais virá. Se a última hipótese for acolhida, então teremos de concluir que a Bíblia falhou e que toda prova de que há um Deus que cumpre Sua Palavra inexiste. Mas não sejamos enganados. Há um Deus amorável que governa acima nos céus; e Sua Palavra, a Bíblia, jamais falhou no cumprimento de uma profecia, e nunca falhará. Lembre-se, o início e fim desta profecia de 490 anos é exata, como visto na restauração e dispersão de Israel. Portanto, precisamos necessariamente e com toda honestidade admitir que o restante da profecia concernente ao Messias é também verdadeira. Mas nós, como um povo, falhamos em reconhecer e aceitá-lO como nosso próprio Messias judaico. Pense a respeito disso, pois é exatamente o que Deus disse que iria ocorrer. Note essas palavras registradas pelo profeta hebreu Isaías:

- "Era [o Messias] desprezado, e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e como um de quem os homens escondem o rosto era desprezado, e dEle não fizemos caso." Isaías 53:3 (H).

- "Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas;nos desviamos cada um para seu próprio caminho; e o SENHOR fez cair sobre Ele [o Messias] a iniqüidade de nós todos.'' Verso 6 (H).

- "Ele [o Messias] foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha, muda perante os seus tosquiadores, Ele não abriu a Sua boca." Verso 7 (H).

- "Mas Ele [o Messias] foi traspassado pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades.... O SENHOR fez cair sobre Ele a iniqüidade de nós todos.... Porquanto foi cortado da terra dos viventes; por causa da transgressão do Meu povo foi Ele ferido." Isaías 53:5, 6, 8 (J).

49. Agora leiamos de nosso Livro de Oração Judaico, que confirma o que acabamos de ler da Santa Bíblia. A citação seguinte é do Prayer Book for the new Year:

* "Seja a Tua vontade que os sons do Shofar (Chifre de Carneiro) que temos hoje soado sejam urdidos em Tua tapeçaria pela intercessão de Elias e por Yeshua, o Príncipe da Tua presença e Príncipe de poder. Assim, possas Tu receber nossas súplicas e estender-nos Tua compaixão." - Tradução de A. Th. Philips, revista e ampliada, p. 100 (Hebrew Publishing Co., New York City).

"Nosso justo ungido [Messias] partiu de nosso meio: horror nos domina, por não temos ninguém

para justificar-nos. Ele carrega o fardo de nossas iniqüidades e nossa transgressão, e é ferido por causa de nossa transgressão. Ele transporta nossos pecados sobre Seus ombros, para que possa encontrai perdão para nossas iniqüidades. Seremos curados por Suas feridas no tempo em que o Eterno O criará (o Messias) como uma nova criatura. Oh, levantai-O do círculo da terra. Erguei-O de Seir, para reunir-nos a segunda vez sobre o Monte Líbano, pela mão de Yinnon.'' - Prayer Book for the Day of Atonement, como traduzido pelo Dr. A. Th. Philips, p. 239 (Publicado pela Bloch Publishing Co., New York City).

50. Tentar negar a profecia acima seria. mera loucura e desonestidade para cora nós mesmos e para com Deus, que deseja salvar-nos para toda a eternidade mediante nosso próprio Messias.

* Esta parte aparece somente em Hebraico, no Livro de Oração. Também é encontrada em outros livros de rezas.

51. Sua primeira vinda foi com o propósito de expiar nossas culpas, pagando o preço de nossos pecados a fim de que possamos receber o perdão por aceitá-Lo, Aquele que nunca pecou, mas morreu por nossos pecados. Este é o propósito de Deus na obra do Messias: Ele é nosso Redentor, nosso Salvador. O pecado é a transgressão da lei e a penalidade do pecado condenou o homem a morte eterna. Portanto, Deus proveu um substituto na pessoa do Príncipe do Universo, Yeshua, o messias.

52. Após ler as citações acima, do livro de oração, alguém poderia perguntar - sabiam os escolásticos hebreus do passado tudo isso com respeito ao Messias quando escreveram o livro de orações? A resposta - é óbvia. Alguns deles devem ter sabido. Os sábios que escreveram a oração que se acha na página 239 do Prayer Book for khe Day of Atonement citaram várias partes de um dos capítulos messiânicos da Bíblia hebraica. Leiamos e vejamos como tornaram suas palavras e pensamentos para esta oração como segue:

- "[3] Ele [é] desprezado e esquecido dos homens, um homem de sofrimentos e acostumado com a dor; e como alguém de quem os homens escondem o rosto ele foi desprezado, e não o levamos em conta. [4] Certamente nossas enfermidades ele suportou, e nossos sofrimentos carregou; e nós o tivemos por ferido de Deus e oprimido. [5] E ele (foi) ferido por causa de nossas transgressões e foi esmagado por causa de nossas iniquidades, o castigo de nossa paz ( foi) colocado sobre ele, e por meio de suas pisaduras touros curados. [6] Todos nós nos desviamos como ovelhas; cada um por seu lado, volvemos para longe nossas faces; e o SENHOR fez com que caísse sobre ele a iniqüidade de todos nos. [17] Ele foi oprimido, e foi afligido, e não abriu a Sua boca: ele (foi) trazido como cordeiro ao matadouro, e mudo como uma. ovelha perante seus tosquiadores, ele não abriu a sua boca. [8] Da prisão e do juízo ele foi tirado, e sua. geração, quem falará dela'? Em vista de ter ele sido cortado da terra dos viventes, em razão da transgressão de creu novo ele foi ferido à morte. [9] E teve, sua morte com os ímpios, e corra o homem rico esteve em sua sepultura; porque nenhuma violência praticou, e nenhum engano se achou em sua boca. [10] E o SENHOR comprazeu-se em esmagá-lo, causar-lhe dor quando ele entregar sua alma corno oferta pela culpa, ele verá a semente, e prolongará [seus] dias, e o prazer do SENHOR prosperará por sua mão. [11] O trabalho de sua alma ele verá e ficará satisfeito; por seu conhecimento Meu servo justo trará justiça para muitos, e suas iniqüidades ele suportará. [12] Por esta razão dividirei [uma porção] a ele cora muitos, e com os poderosos ele dividirá um espólio, porque ele derramou sua alma na morte, e com os transgressores foi enumerado, e ele carregou a iniqüidade de muitos e pelos transgressores intercederá." Isaías 53:3-12 (Heb.)

53. Outra pergunta que alguém pode fazer é: Como os sábios que escreveram o Livro de Oração sabiam que o nome do Messias era Yeshua , como citado acima no Mahsor para o Ano Novo? A resposta parece ser que eles entendiam o que a Bíblia ensina com respeito ao Messias. Há alguns poucos lugares na Bíblia hebraica onde o Messias é referido como Yeshua. Note a palavra "salvação" sublinhada neste texto:

- "Eis que o SENHOR fez ouvir até às extremidades da terra estas palavras: Dizei a filha de Sião: Eis que vem a tua salvação e com Ela a Sua recompensa, e diante dela o Seu galardão. Chamar-vos-ão: Povo santo, remidos do SENHOR." Isaías 62:11, 12 (J).

Nessa passagem a palavra hebraica traduzida como "salvação" é Yeshua´, e ela é assim traduzida na maioria das vezes. Em Isaías 12:2 (J) lemos:

"Eis que Deus é a minha salvação [Yesh'ah]." O Midrash Rabbah sobre Êxodo, cap. 23, seç. 6, ao citar o Salmo 19:17, diz: "Louvarei a Tua força, refere-se à era messiânica, pois é dito, Eis que Deus é a minha salvação; confiarei e não temerei (Isa. 12:2)." - p. 284 da edição Soncino de 1951.

No texto hebraico de Zacarias 9:9 o profeta diz: "Eis que o teu rei virá a ti, justo e tendo salvação [nosha]." Como antigamente traduzido ao grego pelos eruditos hebreus, diz: "Eis que o teu rei está vindo a ti, justo e um salvador [gr., sozon, ´aquele que salva´]," etc. Ver a Septuaginta (LXX).

Contudo, Dr. A . Cohen em seu comentário sobre Zacarias 9:9 declara: "Teu rei vem a ti. Isso somente pode referir-se ao Rei Messias, de quem é dito, E seu domínio será de mar a mar," etc. - The Twelve Prophets, p. 305 (Soncino Press, Londres: 1961).

Assim o "Salvador" de Zacarias 9:9 é comparado ao Messias ou Yeshua. Aquele que foi enviado para nos salvar, como estabelecido tanto em `saías 12:2 como Zacarias 9:9 é o Messias, que nos traz salvação como declara em Isaías 62:11-12.

54. Alguém pode perguntar:" Por que os sábios hebreus escrevem no Livro de Oração, Ano Novo, p. 100, a oração a Deus, "Que apareça Ele a segunda vez?" Evidentemente porque Ele veio uma vez, no que a maior parte do povo judeu não crê. Lembremo-nos sempre que entre os sábios hebreus havia muitos homens honestos que sabiam e escreviam a verdade. Por outro lado, havia sábios hebreus que não eram tão honestos. Note duas citações particularmente, a primeira de um sábio honesto de coração que escreveu: "Possa Ele aparecer a segunda vez." Os homens que escreveram isto podem ter conhecido a profecia dos 490 ano, e assim sabiam que Ele havia vindo durante o tempo do segundo Templo, que se situa entre o início e final desta profecia dos 490 anos.

Que alguns realmente a conheciam é evidente da seguinte declaração talmúdica:

"O Tanna debe Eliyyahu ensinou: O mundo deve existir 6.000 anos; os primeiros 2.000 anos serão vazios; os seguintes 2.000 anos são o período da Toráh, e os seguintes 2.000 anos são o período do Messias." - Abodah Zarah 9a (p. 43 da edição Soncino de 1935).

55. Assim, parece que alguns dos eruditos hebreus que escreveram o Talmude sabiam que o Messias viria após cerca de 4.000 anos da história da terra. Portanto, não admira que hajam escrito no livro de oração o que já conheciam dos ensinos da Bíblia e do Talmude. Mesmo que escrevessem com honestidade, devido ao prevalecente preconceito podem não ter conhecido a verdadeira identidade do Messias judaico.

Pode ser feita por alguns do povo judaico a pergunta - "Se o Messias já veio a primeira vez, como tem sido mostrado neste estudo, por que nossos rabinos nada sabem sobre isso?" Responderemos a esta pergunta em três partes.

56. Primeiro, um de nossos rabinos que escreveu uma porção do Talmude evidentemente conhecia esta profecia, pois ele proibiu qualquer pessoa de estudar o livro de Daniel com respeito ao período de tempo profético. Note esta declaração extraída do Talmude:

 

O "Targum do Pentateuco foi composto por Onkelos, o prosélito. ... O Targum dos Profetas foi composto por Jonathan ben Uzziel... e um Bath Kol manifestou-se e exclamou - Quem é este que revelou Meus segredos à humanidade? Jonathan b.  Uzziel com isso levantou-se e disse: Eu é que revelei Teus segredos à humanidade. É inteiramente sabido por Ti que não fiz isso para minha própria honra. ... Ele procurou revelar mais por um targum [o sentido interior] da Hagiographa, mas um Bath Kol foi e disse - Basta! Qual foi a razão? - Porque a data do Messias está nele predito." - Megillah 3a (p. 9,10 da edição Soncino de 1938).

A nota de rodapé 2 na p. 10 declara: "A referência é provavelmente ao Livro de Daniel."

"R. Samuel b. Nahmani disse em nome de R. Jonathan: Secados sejam os ossos daqueles que calculam o fim." - Sanhedrin 97b (vol. 2, p. 659, da edição Soncino de 1935). A nota de rodapé nº 6 diz: "I.e., o advento do Messias." A nota de rodapé 4 diz: "Os versos citados de Daniel, dos Salmos e Ageu foram interpretados para darem uma data definitiva para o advento do Messias."

57. Entre nossos rabis hoje há muitos homens piedosos, contudo, eles não estudam as profecias da Bíblia e assim não conhecem a verdade com respeito ao Messias. Não obstante, uns poucos rabinos que estudaram as profecias messiânicas aceitaram a Yeshua como o único Messias judaico.

 

Os Judeus Aceitarão o Messias

58. Aproxima-se o tempo em que muitos rabinos e milhares de nosso povo judaico se unirão a esta grande reforma entre os verdadeiros israelitas. Há hoje congregações judaicas que aceitam a Yeshua como o Messias judeu e esperam Sua segunda vinda como Rei dos reis.

59. Em segundo lugar, alguns dentre nosso povo judeu têm a errônea idéia de que se um judeu aceita a Yeshua como o Messias, não mais é um judeu. Isto está longe da verdade. Em realidade, ocorre exatamente o oposto. Segundo a Bíblia Sagrada, não se conhece plenamente a alegria de ser um verdadeiro judeu até que se aceite a ema com o messias, e se sigam todos os ensinos das Santas Escrituras. Ele sabe o que significa ser um verdadeiro judeu quando, pelo divino auxílio, observa todos os Dez Mandamentos. Isso inclui a observância do sábado desde o pôr do Sol da sexta-feira ao pôr do Sol do sábado. Ele também se abstém de comer alimentos impuros, como carne de porco e peixes sem barbatanas e escamas, os quais Moisés registrou na Toráh como sendo condenados por Deus.

60. Algumas pessoas dizem que se o Messias houvesse chegado, teríamos agora uma utopia sobre a Terra. Contudo, segundo a Bíblia Sagrada, quando o plano de salvação é plenamente estudado e corretamente compreendido, descobrimos que o Messias deve vir duas vezes. Sua primeira vinda foi para sofrer por levar nossa culpa e pagar a penalidade por nossos pecados. O Messias não cometeu qualquer pecado, contudo foi tentado em todos os pontos como nós, mas não sucumbiu ao pecado. Portanto, Ele é nosso Salvador e Redentor. Assim, todos quantos O aceitem como seu Salvador e Redentor não precisam morrer por seus pecados, porque em aceitá-lO como seu Salvador pessoal, a penalidade da morte por eles já foi paga. Contudo, lembre-se que o pecador que voluntariamente rejeita o Messias como seu Salvador pessoal terá que encarar a penalidade por sua própria iniqüidade e sofrerá a morte eterna.

61. A segunda vinda do Messias, contudo, é totalmente diferente. Seu propósito então será recompensar todas as pessoas, tanto as justas como as ímpias. Todos os indivíduos justos, santos, e piedosos serão libertos do mal e remidos por toda a eternidade, e viverão numa utopia edênica para sempre; mas todos os pecadores serão destruídos. Portanto, cabe a nós tomar a decisão. Iremos aceitar o testemunho das Santas Escrituras, a Bíblia, tal como Deus no-las deu, ou as iremos esquecer como muitos fizeram no passado?

 

Estudo é Necessário

62. Deve-se lembrar que caso nossos antepassados houvessem estudado diligentemente as Santas Escrituras em lugar de seguirem as tradições de homens, muitos teriam aceito o Messias. Mas, por terem sido seguidores da tradição, e não dos ensinos das Santas Escrituras, muitos do povo judeu ao seguirem tal exemplo também se esqueceram de seu próprio Messias judaico.

63. Amados, que Deus nos ajude a vivermos de tal maneira e a ordenarmos nossas vidas de modo tal que possamos ser contados entre os santos e justos que aceitaram o Messias como seu Salvador pessoal. Assim estaremos prontos quando Ele vier a segunda vez. Então, como Seus filhos, viveremos através da eternidade.

 

* NOTA: A menos que indicado de outra forma, todas as passagens citadas das Escrituras do Novo Testamento, nas lições 20 a 40, foram tiradas da Versão Autorizada (popularmente conhecida como "versão do rei Tiago" - The King James Version) em Inglês. Cada passagem que trouxer "(Gr.)" após a referência dada - como, por exemplo, "S. Mateus 3:13-17 (Gr)" - foi traduzida diretamente do texto Grego, para maior clareza.

 

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