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Monte Sinai

 
Rosh Hashaná - A Festa das Trombetas

 

 

Rosh Hashaná: O Dia do Julgamento

Foto Ilustrativa

"Hayom harat olam..."
Hoje é o dia do nascimento do mundo. Hoje Ele convoca em juízo todas as criaturas do universo..."
(da oração de Mussaf de Rosh Hashaná)
 

 

Rosh Hashaná, comemorado no primeiro e segundo dias do mês hebraico de Tishrei, é diferente de todas as outras festividades judaicas. Todas as demais marcam uma experiência significativa na história do povo judeu, enquanto que Rosh Hashaná celebra um evento universal: a criação do primeiro homem e da primeira mulher. Rosh Hashaná não é, portanto, apenas uma data sagrada para o judaísmo, mas uma celebração universal, que enfatiza a necessidade de que cada ser humano tenha plena consciência de sua missão nesta vida.

O Zohar, obra em que se alicerça a Cabalá, ensina que quando o primeiro homem foi criado, D’us imediatamente o informou acerca de seus poderes, revelando-lhe sua missão de vida: "...Frutificai-vos e multiplicai-vos e enchei a terra, subjugando-a e dominando os peixes do mar e as aves dos céus, bem como todo ser que se arrasta pela terra" (Gênese 1:28). O Criador ordenava, pois, aos primeiros homem e mulher criados que conquistassem e governassem o mundo todo.

Nossos sábios revelam o verdadeiro significado dessa missão atribuída ao homem de “conquistar o mundo”. Explicam-nos que quando D’us criou Adão, sua Divina Alma permeou e irradiou-se por todo o seu ser, dando-lhe, assim, o poder de dominar os outros seres. Mas que quando as demais criaturas chegaram-se a Adão para coroá-lo como seu criador, ele lhes apontou o engano, dizendo: “Reunamo-nos e juntos exaltemos a D’us, nosso Criador”!

A missão de “subjugar o mundo” significa que o propósito do homem, nesta vida, é santificá-la, a começar por ele e os que o cercam, para que todos os seres vivos saibam que D’us é nosso Criador. D’us criou apenas um homem – dele criando a mulher – e impôs a ambos esta tarefa. O Talmud explica que uma das razões para que D’us criasse apenas um ser humano foi transmitir o ensinamento de que cada um de nós é um microcosmo do universo todo. Nossos sábios dizem que cada ser humano deve habituar-se a dizer “o mundo todo foi criado apenas por minha causa”. Não se trata de uma afirmação de egocentrismo ou egoísmo. Bem ao contrário, significa que cada pessoa tem sobre si a responsabilidade por todo o restante do mundo. Como cada um de nós representa Adão, cada um de nós herda e carrega a missão ordenada pelo Criador à primeira criatura humana em quem Ele insuflou vida. Assim sendo, qualquer um de nós tem a capacidade de “subjugar o mundo”. Se a pessoa não cumpre essa tarefa e não utiliza os seus inestimáveis poderes divinos da forma mais plena possível, terá falhado não apenas ele, mas sua falha afetará o bem-estar e o destino do mundo inteiro. Esta conscientização de maior poder do indivíduo e de responsabilidade coletiva e as subseqüentes decisões e ações que tal conscientização enseja são dos principais temas dos dias sagrados de Rosh Hashaná.

Aniversário da Criação

Na liturgia de Rosh Hashaná, proclamamos: “Hoje é o dia do nascimento do mundo, do início da Obra de Tuas mãos...”. Mas, por que Rosh Hashaná é chamado de “início da Obra Divina” se a Criação do mundo se iniciou cinco dias antes de Adão ser formado? Por que seria este o dia chamado de “primeiro” quando, conforme revela a Torá, era, de fato, o sexto dia?

Uma das respostas a estas perguntas é que no sexto dia da Criação – o primeiro dia do mês hebraico de Tishrei – a existência teve conteúdo e sentido com a criação de Adão e Eva. O aniversário do mundo não é computado a partir da criação das galáxias, plantas ou animais, que não possuem o livre arbítrio; nem tampouco é calculada a partir da criação dos anjos, que cega e infalivelmente seguem todas as ordens e diretivas Divinas. Mais precisamente, o propósito do universo se concentra na força interna do ser humano de escolher entre o bem e o mal, de viver consoante com a vontade de Seu Criador ou não. No sexto dia da Criação, quando Adão e Eva abriram seus olhos e contemplaram o mundo Divino, foram agraciados com a opção de a Ele atender ou a Ele se opor. O ser humano é o protagonista da história ininterrupta do universo e, portanto, a sua criação foi o que determinou o primeiro dia do mundo.

A cada Rosh Hashaná, repetimos o apelo de Adão a todas as criaturas vivas: “Vinde, para que juntos louvemos e nos curvemos, ajoelhando-nos diante de D’us, nosso Criador”. Durante os dois dias dessa festividade, intensificamos a nossa conscientização da presença do Criador, comprometendo-nos a aumentar nossa percepção de Sua Majestade e de Seu domínio sobre nossas vidas. Por esta razão, proclamamos em nossas preces de Rosh Hashaná: “Nosso D’us e D’us de nossos pais, reina sobre todo o universo com Tua glória, eleva-Te sobre toda a terra, na Tua magnificência, e manifesta-Te no esplendor da majestade do teu poder a todos os habitantes do Teu universo. E saberá todo ser vivo que Tu o fizeste, e toda criatura que Tu a criaste, e todo aquele em quem insuflaste uma alma viva proclamará: “O Eterno, D’us de Israel, é Rei Majestoso e Seu Reino a tudo domina”.

O Talmud (Rosh Hashaná 10b-11a) conta que além da criação de Adão, outros inícios significativos ocorreram em Rosh Hashaná. Os Patriarcas Abraham e Jacob nasceram nesse dia. Abraham representou um novo despertar para toda a humanidade após Adão e Noé não terem conseguido disseminar o monoteísmo e a moralidade pelo mundo. Jacob foi um recomeço para o povo judeu, pois por seu intermédio os judeus se tornaram uma família que, a partir de então, desenvolveu-se em uma nação. E foi também em Rosh Hashaná que o povo judeu, no Egito, foi dispensado do trabalho escravo, marcando o início de sua libertação que culminaria no Monte Sinai, onde receberam a Torá, tornando-se, a partir de então, um povo amadurecido a ponto de constituir uma verdadeira nação.

Por que dois dias? A explicação cabalista

O fato de Rosh Hashaná marcar o aniversário da Criação é exatamente a razão que faz dessa data o Dia do Julgamento. Qualquer plano deve ser avaliado, de tempos em tempos, para ver o seu andamento, se atingiu seus objetivos e propósitos. Como Rosh Hashaná foi o primeiro dia em que um ser com um propósito determinado passou a fazer parte deste mundo que conhecemos, D’us escolheu esse dia para a avaliação anual de Seu universo e do quanto os seres humanos tinham alcançado em levá-lo à perfeição. Nós, judeus, o Povo Eleito, recebemos d’Ele a ordem de cumprir todos os mandamentos de Sua Torá. Os não judeus têm a obrigação de cumprir as Sete Leis de Noé, que proíbem idolatria, blasfêmia, assassinato, imoralidade sexual, roubo, ingestão de qualquer parte de um animal vivo e a corrupção da justiça. Os não judeus também têm a obrigação de praticar caridade, atos de bondade e zelar pela eficiência e justiça de seus tribunais civis.

Nos dois Dias do Juízo, D’us julga judeus e não judeus, indistintamente, bem como todos os outros seres vivos. Pois está escrito: “Em Rosh Hashaná, o Dia do Ano Novo, será inscrito e no Yom Kipur, o dia de jejum da Expiação, será confirmado: quantos terão de sair do convívio humano e quantos terão que nele entrar; quem viverá e quem morrerá... quem em sossego e quem em meio a tumulto... quem em pobreza e quem em abundância; quem será elevado e quem humilhado será”. Enquanto, por assim dizer, D’us está em Seu Trono Celestial, julgando-nos, nós oramos implorando pela vida, saúde e sustento para o ano vindouro, pois que em Rosh Hashaná os atos de cada indivíduo são minuciosamente examinados; durante esses dois dias, estão sendo julgados, pelo Juiz e Provedor Celestial, o destino e o sustento, no ano por vir, de cada um dos seres vivos sobre a terra. Os estudiosos místicos ensinam que o comportamento do povo judeu afeta não apenas a sua própria sentença, a ser proferida em Rosh Hashaná, mas também a do mundo e daqueles que nele habitam.

Durante o ano, as comunidades que vivem fora de Israel celebram as festas judaicas durante um dia a mais do que aqueles que habitam a Terra Santa. No entanto, mesmo os que residem em Israel têm que guardar a data sagrada de Rosh Hashaná por dois dias – no primeiro e segundo dias do mês de Tishrei. O Livro do Zohar, escrito pelo grande místico e mestre da Torá, Rabi Shimon bar Yochai, explica o porquê: Rosh Hashaná, o Dia do Julgamento, representa o atributo Divino da Guevurá – justiça e disciplina severas. E, como todas as criaturas vivas estão sendo julgadas em Rosh Hashaná e não suportariam a aplicação da severa sentença Divina, acrescenta-se um segundo dia à celebração. Esse segundo dia é principalmente governado pelo atributo de Malchut – que, sendo o atributo Divino que permeia o Shabat, é um atributo de julgamento clemente e misericordioso.

Nos dias que antecedem Rosh Hashaná, reunimo-nos nas sinagogas para recitar as preces de Selichot – pedidos de perdão Divino. O Zohar revela a importância da confissão dos pecados diante do Criador: “Aquele que encobre suas transgressões, jamais prosperará; mas quem as confessa e abandona, obterá a misericórdia” (Provérbios 28:13) do Santo, Bendito Seja Ele. Rosh Hashaná, portanto, não é apenas um dia de julgamento, mas especialmente de auto-análise e julgamento de nossos próprios atos.

Diariamente, mas em especial durante a festividade de Rosh Hashaná e nos dias que a antecedem e sucedem, cada um de nós deve indagar a si próprio quanto de seus propósitos conseguiu realizar e a que novas determinações de crescimento e aperfeiçoamento pessoal se propôs para o ano que está por iniciar. Cada um de nós, judeus, deve refletir sobre o fato de ter a responsabilidade de “subjugar e conquistar o mundo”, cumprindo as instruções do Criador do Mundo, por Ele entregues a nós em Sua Torá. Em Rosh Hashaná, somos responsabilizados não apenas pelo que fizemos, mas também pelas boas ações que poderíamos ter realizado – e não o fizemos. Fomos bondosos e generosos com os menos favorecidos? Mantivemos nossa fé e elevada moral mesmo diante de provações e atribulações? Oramos com sinceridade e cumprimos os mandamentos de D’us com seriedade de intenção e total entrega? Conseguimos elevar-nos e santificar o mundo através do estudo da Torá – com a plenitude que estava a nosso alcance? O julgamento de Rosh Hashaná requer que pesemos as mínimas e infinitas possibilidades e oportunidades que são colocadas diante de nossos olhos, diariamente.

Ano após ano, nos dois dias de Rosh Hashaná, D’us determina se cada um de nós está desempenhando sua missão de vida em toda a sua plenitude – para assim santificar a si próprio e a todo o mundo, através da proclamação da Majestade do Criador e de ações consoantes com as Suas determinações. Então, enquanto “...todos os habitantes do mundo desfilam diante d’Ele feito um rebanho”..., e Ele, como um pastor, vistoria as suas ovelhas, determinando “o destino de cada criatura e anotando a sua sentença: ...quem viverá e quem morrerá..., quem em pobreza e quem em abundância, quem será humilhado e quem será elevado”...eis que, repentinamente, um som penetrante eleva-se da Terra e reverbera, em sua magnitude, pelos Céus. É o chamado do shofar, o simples toque de uma trombeta que anuncia que o Povo Eleito por D’us está coroando-O como seu Rei, anunciando a todos os seres vivos que...”O Eterno, D’us de Israel, é Rei Majestoso e Seu Reino a tudo domina”.

Proclamando mensagens com uma eloqüência que as palavras jamais seriam capazes de transmitir, o simples chamado do shofar desperta a consciência do homem para um compromisso renovado e mais profundo com seus atos e missão de vida.

E D’us Misericordioso, Aquele que penetra nas profundezas do coração de cada um de nós, irá certamente responder a nosso propósito de tomar boas resoluções, enviando as Suas bênçãos para que as mesmas se realizem em sua plenitude.

Que neste Rosh Hashaná que se avizinha, possa Aquele que está nas Alturas Celestiais “erguer-se do Trono do Julgamento e sentar-se no Trono da Misericórdia”, para desta forma inscrever todos os Seus filhos no Livro da Vida, abençoando-os com um ano de paz, saúde, júbilo e tranqüilidade material e espiritual.


Bibliografia:
• Commitment, Memory and Deed: www.chabad.org/holidays/JewishNewYear/
• The Neurology of Time; ibid
• The Man in Man; ibid
• To Will a World; ibid
• Rebbe’s Message – 25th of Elul, 5719 – Rabbi Menachem Mendel Schneerson, Z.T.K.L.
• Rosh Hashana Machzor – Artscroll Mesorah – Rabbi Nosson Scherman, Rabbi Meir Zlotowitz, Rabbi Avie Gold  
• The Wisdom of the Zohar – Isaiah Tishby (Editor), David Goldstein (Translator)

 

 

Rosh Hashaná é o ano novo judaico. Trata-se de uma festividade alegre mas ao mesmo tempo, solene, celebrada durante dois dias, tanto em Israel quanto fora da Terra Santa. Além de assinalar o começo do ano judaico, Rosh Hashana também é o início de um período de arrependimento de dez dias, que terminam no Yom Kippur. É ensinado aos judeus que no Rosh Hashana se decide o destino de cada judeu para o ano seguinte, mas a decisão tomada nas alturas não é selada até o Yom Kippur, podendo ser mudada para melhor no decorrer dos dez dias intermediários. Por conseguinte, são dias de exame da alma e de arrependimento. Em outras palavras, a ênfase recai não só em sentir-se culpado pelo que se tenha feito ou deixado de fazer, mas também em decidir mudar do curso anterior que se vinha seguindo e agir diferentemente no futuro.

No primeiro dia do Rosh Hashana (ou o segundo, se o primeiro for sábado) é costume ir-se até as margens de um lago ou qualquer massa de água que contenha peixes e lá dizer uma prece chamada "Teshlich", afirmando que os pecado estão lançados na água.

As tradições do Rosh Hashana variam muito de uma comunidade para outra. Mas em todas elas, deseja-se mutuamente um bom ano. A véspera do Rosh Hashana é comemorada com um "Kiddush" e uma festa. entre os "ashkenaziim", a "challá" não é em forma de trança como no resto do ano mas sim redonda, simbolizando o ano que começou. É costume mergulhar o pão em mel, a fim de indicar a esperança de que o ano vindouro seja doce. As famílias tracionalistas comem a cabeça de um peixe nessa noite, pois a palavra "Rosh" significa "cabeça" do ano. Come-se também uma maçã molhada em mel, para que Deus lhe conceda "um ano bom e doce". Já os "sefaradim" têm o costume de comer abóbora, alho-poró, beterraba e tâmara na festa do Rosh Hashana.

O serviço de sinagoga é mais extenso, variado e solene que em outras ocasiões; as orações incluem passagens do Tanach, do Talmud, orações e poemas litúrgicos, alternando com a leitura da Torah e o toque do Shofar.

O Shofar, instrumento feito de chifre de carneiro, é um antigo símbolo israelita que nos recorda os momentos em que nosso patriarca Abraham estava disposto a sacrificar seu filho para cumprir a vontade divina, e o Senhor permitiu que sacrificasse um carneiro no lugar de Isaac. Esse som e o que ele representa transformou-se com o passar do tempo no momento mais importante dos dias de Rosh Hashaná.

Neste ano de 2005 a comunidade judaica comemora, às vésperas do dia 4 de outubro, o Rosh Hashaná, o ano novo de seu calendário —- que, diferentemente do calendário gregoriano, registra a entrada do ano 5766.

Talvez com mais força do que outros povos, os judeus mantêm tradições culinárias bem fortes ligadas a suas datas comemorativas. Talvez o hábito de manter alimentos simbólicos à mesa tenha sido produzido pela dispersão do povo judeu, que em cada país do mundo termina adaptando sua culinária aos ingredientes locais —- mantendo, porém, o simbolismo de alguns alimentos que representam sua história.

No caso do Rosh Hashaná há ingredientes que cumprem este papel, e normalmente são colocados à mesa nas refeições comemorativas —- como a cabeça de peixe, a maçã, o bolo de mel. Mas um jantar de Rosh Hashaná pode ter no cardápio muitas das inúmeras iguarias da cozinha judaica

O diretor da Melhoramentos, Breno Lerner, conta um pouco da história e dos costumes do Rosh Hashaná, o Ano Novo judaico que acontece no dia 4 de outubro deste ano (2005), e do Yom Kipur, o Dia do Arrependimento


Qualquer judeu de classe média de São Paulo tem a mesma lembrança do Rosh Hashaná, o Ano Novo judaico que neste ano acontecerá no dia 4 de outubro: as carpas na banheira.

Sim, caro leitor, trata-se de uma festa religiosa, aliás, um dos momentos mais importantes do calendário religioso judaico. É o momento em que, segundo a crença religiosa, o povo judeu entra num período de reflexão e arrependimento, faz um balanço de suas ações no ano que passou e pede perdão pelos pecados cometidos. Para cada um de nós, significa ser inscrito no livro dos vivos no ano que se inicia.

E, como na maioria das celebrações judaicas, a comida tem um papel fundamental, daí as carpas na banheira. Explico-me: um dos pratos mais tradicionais do Rosh Hashaná é o gefilte fish, originalmente um peixe recheado e que, com o passar do tempo, virou bolinho de peixe.

Gefilte fish

O gefilte fish é feito tradicionalmente de carpa (de preferência de carpa viva), que deve ser deixada em água limpa por 2 ou 3 dias para perder seu característico gostinho de lodo.

Assim, nossas avós, após árduas negociações com o peixeiro da feira, conseguiam trazer as carpas vivas para casa e, quando chegávamos da escola e víamos os peixes na banheira, batata, batatorum...sabíamos que era a semana de ano novo.

Hoje em dia, os cozinheiros japoneses nos ensinaram que pegar a carpa viva e colocar algumas gotas de vinagre em sua boca provoca um violento processo de sudorese, que elimina em minutos o tal gosto de lodo.

Tradições culinárias

Espalhados pelo mundo e com tradições tão antigas, os judeus colecionaram uma quantidade enorme de usos e costumes culinários. As do Ano Novo judaico são inúmeras. Os judeus de origem Asquenazi (que vêm da Europa) costumam incluir no jantar maçãs e mel, para um ano doce.
O peixe é uma tradição: sempre nada para a frente e, usualmente, sua cabeça é oferecida ao decano da mesa como deferência especial. Alguns grupos judeus do Iraque proíbem o peixe no Ano Novo, pois a palavra “dag” (peixe, em hebraico) assemelha-se à “da`ag” que, que significa aflição ou preocupação.

Já os grupos mais místicos não comem nozes no Ano Novo. Um antigo estudo atribui valores numéricos a cada letra do alfabeto hebraico e, somando-se o valor das letras da palavra judaica para noz (“egoz”), obtém-se o mesmo valor que há nas letras da palavra pecado (“chet”).

Yom Kipur

A galinha é a grande estrela do jantar após o jejum de Yom Kipur (o Dia do Arrependimento), que ocorre 10 dias após o Rosh Hashaná e é considerado o dia mais sagrado do ano judaico.
Todos os judeus adultos jejuam por um dia num ato de constrição e arrependimento, passando quase que o dia inteiro rezando na Sinagoga.

O jejum é quebrado, na maioria das vezes, ainda na Sinagoga, com um tradicionalíssimo bolo de nozes e mel. Em casa, o jantar tradicional começa com um peixe defumado ou marinado: a salinidade faz com que se tome mais líquidos e rehidratar o organismo mais rapidamente.

Refeição láctea

Alguns grupos da Europa central costumam, neste dia, fazer uma refeição láctea: lokshem kugel (bolo de macarrão) ou as blintzes (panquecas) de queijo. Em quase todas as casas há, também, um prato de galinha. A antiquíssima cerimônia “kaparot” era realizada no lugar dos sacrifícios que ocorreram no grande templo de Jerusalém. A tradição permanece e a galinha substituiu a oferenda de um animal.

Huevos haminados

Outro costume envolve os judeus da Turquia. No jantar de "quebra-jejum" costumam servir huevos haminados (ovos cozidos por um processo especial que leva mais de 6 horas). O ovo sempre foi o símbolo da vida e da continuidade para muitos povos antigos. Diz a lenda turca que, se você dividir um huevo haminado com alguém, um ficará com raiva do outro até o fim do próximo ano.

Os judeus Sefaradi (do Oriente e da Península Ibérica) têm o couscous como prato de cerimônia para as festas de fim de ano. Comem acelga para remover os inimigos do caminho, a vagem de metro para aumentar as bênçãos recebidas, o doce de abóbora em pedaços para pedir que os nossos pecados sejam também reduzidos a pedaços, e a romã para que nossas virtudes se multipliquem como suas sementes.

Um costume mais recente manda decorar os bolinhos de peixe (gefilte fish) com rodelas de cenoura cozida para lembrar moedas e o desejo de melhorias para o ano que se inicia.

Receitas:

Chittarnee

Existiram 2 grandes comunidades judaicas na Índia, a de Bombaim e a de Calcutá. As receitas de ambas eram iguais na essência, mas tudo o que era feito com carne em Bombaim, era feito com frango em Calcutá: a comunidade de Bombaim tinha um shohet, ou seja, um rabino habilitado a abater animais segundo os rituais kasher (o código religioso sanitário que diz o que o povo judeu pode comer e o que não pode). Assim, a comunidade de Calcutá só comia carne quando o Shohet para lá viajava.

Ingredientes

1 kg de cebolas bem picadas
3 dentes de alho esmagados
2 col. (chá) de gengibre ralado
1 col. (chá) de açafrão
1 col. (chá) de canela em pó
1 col. (chá) de coentro bem picado
4 folhas de louro
6 filés de frango cortados em cubinhos
1/2 kg de tomates sem pele e sementes picado
3 col. (sopa) de vinagre
2 col. chá de açúcar
sal e pimenta-do-reino

Preparo

Numa panela grande doure a cebola em 6 colheres (sopa) de óleo por cerca de 15 a 20 minutos. Adicione o alho, o gengibre, os temperos e o louro. Cozinhe por 5 minutos. Coloque o frango e frite por 10 minutos, mexendo esporadicamente. Junte os tomates e cozinhe até que todo o líquido em excesso evapore ( cerca de 30 minutos). Para finalizar, coloque o vinagre e o açúcar e cozinhe em fogo baixo por 10 minutos. Sirva com arroz ou couscous.

Poire Pochèe

Esta receita foi descoberta recentemente em um livro de receitas para o Ano Novo do antigo bairro judeu de Paris. Tal livro fazia parte de um lote de antiguidades, levado a leilão em Londres em 1998. Estima-se ter sido escrito no período napoleônico.

Ingredientes

8 pêras bem rijas
2 xícaras (chá) de vinho tinto para sobremesa
suco de 1/2 limão
1 xícara (chá) de açúcar
3 paus de canela
1 baga de baunilha (ou 2 gotas de extrato)
1 col. (sopa) de raspas de casca de limão

Preparo

Descasque as pêras com o cabinho. Utilize uma panela grande o suficiente para nela caberem todas as pêras. Coloque o vinho, o suco de limão, o açúcar, a canela, a baunilha, as raspas e 1 xícara (chá) de água. Deixe ferver por 1 minuto. Coloque as pêras e cozinhe até amaciarem (de 10 a 15 minutos).
Retire-as e deixe o caldo reduzir à metade. Deixe esfriar por 5 minutos, coe e cubra as pêras. Leve à geladeira e sirva só, ou com o sorvete.

Para todos que aqui nos lêem, judeus ou não judeus,
LE SHANÁ TOVÁ TICATÊVU
Que todos nós sejamos inscritos para um bom ano...

Selecionamos aqui mais algumas das receitas que podem ser aproveitadas nesta comemoração:

Por Breno Lerner, editor e autor do livro "A Cozinha Judaica" (Melhoramentos)

01.  Salada dos tolos
Breno Lerner

Ingredientes

1 peito de peru, cozido em água e sal e em cubinhos
4 batatas grandes, cozidas e em cubinhos
1 maço de cebolinhas verdes, fatiadas bem fino

Molho
suco de 1 limão
2 dentes de alho esmagados
1 col. (chá) de mostarda em pó
1 col. (chá) de orégano
1 col. (chá) de hortelã bem picada
sal e pimenta-do-reino
½ xíc. (chá) de azeite de oliva extravirgem

Preparo

Misture muito bem todos os ingredientes do molho, menos o azeite. Vá acrescentando um fio bem fino de azeite à mistura, batendo sem parar. Reserve.
Para a salada, misture delicadamente o peru, as batatas e as cebolinhas. Tempere com o molho, mexendo suavemente. Deixe esfriar na geladeira e sirva.

Rendimento: 2 porções
Tempo de preparo: 30 min
Execução: muito fácil
Custo: barato

 

02.  Peixe no vinho

Ingredientes

4 filés de peixe (Saint-Pierre ou linguado)
1 xíc. (chá) de uvas sem semente
¾ de xíc. (chá) de vinho branco seco
1 xíc. (chá) de creme de leite batido bem espesso
1 xíc. (chá) de figos em calda (se grandes, cortados em 2 ou 4)
sal e pimenta-do-reino a gosto

Preparo

Tempere os filés com sal e pimenta-do-reino. Unte uma assadeira com margarina. Preaqueça o forno a 450 ºC. Coloque os filés na assadeira. Espalhe as uvas por cima. Acrescente o vinho branco e asse por 12 minutos.
Aqueça o creme de leite em uma caçarola em fogo baixíssimo. Quando o peixe estiver pronto, retire 6 colheres (sopa) do líquido do cozimento e misture ao creme, mexendo bem até incorporar. Transfira, com cuidado, os peixes e as uvas para uma travessa aquecida. Cubra com o creme. Decore com os figos em calda e sirva.

Rendimento: 2 porções
Tempo de preparo: 30 min
Execução: fácil
Custo: moderado

 

03.  Beigales ou pãezinhos de farinha de matza
Mariquinha Schkolnick

Ingredientes

2½ copos (250 ml) de farinha de matza (matzemeil)
½ copo (250 ml) de óleo
1½ copo (250 ml) de água
2 col. (chá) de sal
1 pitada de açúcar
4 ovos

Preparo

Ponha a farinha de matza em uma tigela.
Em uma panela, coloque o óleo, a água o sal e o açúcar.
Leve ao fogo até ferver e escalde a farinha de matza.
Deixe esfriar completamente e adicione os ovos um a um, trabalhando sempre com as mãos até obter uma massa homogênea.
Unte as mãos com óleo e faça pãezinhos redondos.
Coloque os pãezinhos em uma assadeira untada com óleo e leve para assar até que fiquem dourados.

Rendimento: 30 unidades
Tempo de preparo: 1 hora
Execução: fácil
Custo: barato

 

04.  Kneidales ou bolinhas de matza
Mariquinha Schkolnick

Ingredientes

1 copo (250 ml) de óleo
2 copos (250 ml) de água
3 copos (250 ml) de farinha de matza (matzemeil)
3 col. (chá) de sal
6 ovos inteiros
3 litros de caldo de galinha

Preparo

Misture bem todos ingredientes em uma vasilha grande até formar uma massa homogênea.Deixe descansar por aproximadamente 30 minutos.
Com as mãos molhadas, enrole bolinhas do tamanho de uma colher de sobremesa.
Cozinhe as bolinhas de matza no caldo de galinha. Quando elas subirem à superfície, estarão prontas.
Sirva-as dentro do caldo de galinha.

Rendimento: 7 porções
Tempo de preparo: 20 min (+ 30 min de descanso)
Execução: muito fácil
Custo: barato

 

05. Klopich ou bolo de carne
Mariquinha Schkolnick

Ingredientes

1 kg de carne moída
1 pacote de sopa de cebola
2 col. (sopa) de maionese
1 cebola em cubinhos
cheiro-verde bem picado
3 ovos cozidos picados
maionese para cobrir
farinha de trigo para salpicar

Preparo

Misture os 5 primeiros ingredientes até obter uma massa homogênea.
Forre uma superfície lisa de trabalho com filme plástico.
Abra a massa de carne nessa superfície com um rolo de macarrão até ficar com a espessura de um dedo.
Espalhe os ovos picados sobre a carne e enrole como um rocambole.
Coloque o bolo de carne numa assadeira, cubra com maionese e salpique com farinha de trigo.
Asse em forno convencional, em temperatura média, até dourar.

Rendimento: 10 porções
Tempo de preparo: 1 hora
Execução: fácil
Custo: barato

 

06.  Varenikes de batatas
Mariquinha Schkolnick

Ingredientes

Massa
3 copos (250 ml) de farinha de trigo
1 col. (chá) de sal
4 ovos
2 col. (sopa) de óleo
1 copo (250 ml)de água morna

Recheio
3 kg de batatas cozidas
sal e pimenta-do-reino a gosto
3 cebolas em cubinhos fritas para servir

Preparo

Em uma vasilha grande, misture todos os ingredientes da massa até obter uma mistura lisa e homogênea.
Embrulhe a massa em filme plástico e reserve.
Polvilhe de farinha uma superfície lisa de trabalho.
Abra, nessa superfície, a massa bem fino com um rolo de macarrão.
Corte-a em círculos com um aro redondo de metal ou um copo. Reserve.
Passe as batatas ainda quentes pelo espremedor de legumes. Tempere com sal e pimenta e misture bem.
Divida o recheio de batatas pelos círculos de massa. Dobre a massa ao meio, formando semicírculos.
Lacre a beirada dos semicírculos pressionando-a sucessivamente com a ponta dos dentes de um garfo.
Cozinhe em água fervente, temperada com óleo e sal.
Retire da água com uma escumadeira, deixe escorrer e sirva com a cebola frita por cima.

Rendimento: 30 unidades
Tempo de preparo: 1h10min
Execução: moderado
Custo: barato

 

07.  Fígado com ovo
Mariquinha Schkolnick

Ingredientes

1 kg de fígado de galinha
1 litro de água
1 tablete de caldo de galinha
8 ovos cozidos
4 cebolas picadas em cubinhos fritas
sal e pimenta-do-reino a gosto

Preparo

Cozinhe o fígado na água com o caldo de galinha.
Escorra o líquido.
Pique o fígado e os ovos bem batidinho.
Adicione a cebola frita, o sal e a pimenta.
Sirva gelado, como entrada.

Rendimento: 6 porções
Tempo de preparo: 15 min
Execução: muito fácil
Custo: barato

 

08.  Leicker ou bolo branco e de chocolate escuro
Mariquinha Schkolnick

Ingredientes

13 ovos (separe as gemas e as claras)
3 copos (250 ml)de açúcar
¾ de copo (250 ml) de água morna
¾ de copo (250 ml) de óleo
3 copos (250 ml) de farinha de trigo
2 col. (chá) de vanilina
2 col. (chá) de fermento em pó
4 col. (sopa) de chocolate em pó

Preparo

Bata as gemas com o açúcar até ficar uma mistura esbranquiçada. Acrescente a água, o óleo e torne a bater. Adicione a farinha e a vanilina.
Unte uma fôrma grande, de buraco no meio, e polvilhe de farinha de trigo.
Bata as claras em neve e acrescente-as à massa (sem bater).
Junte o fermento e misture delicadamente (com uma colher de pau) de cima para baixo, sem bater.
Despeje metade da massa na fôrma.
Adicione o chocolate em pó ao restante da massa, misture delicadamente e despeje na fôrma por cima da massa branca.
Asse em forno moderado, preaquecido, até que, ao enfiar um palito, este saia seco e limpo.

Rendimento: 15 porções
Tempo de preparo: 40 min
Execução: muito fácil
Custo: barato

Mais receitas:

 

LE SHANÁ TOVÁ TICATÊVU

 


Você está preparado espiritualmente? Sua família está preparada? Você está protegendo seus amados da forma adequada? Esta é a razão deste ministério, fazê-lo compreender os perigos iminentes e depois ajudá-lo a criar estratégias para advertir e proteger seus amados. Após estar bem treinado, você também pode usar seu conhecimento como um modo de abrir a porta de discussão com uma pessoa que ainda não conheça o plano da salvação. Já pude fazer isso muitas vezes e vi pessoas receberem Jesus Cristo em seus corações. Estes tempos difíceis em que vivemos também são um tempo em que podemos anunciar Jesus Cristo a muitas pessoas.

Se você recebeu Jesus Cristo como seu Salvador pessoal, mas vive uma vida espiritual morna, precisa pedir perdão e renovar seus compromissos. Ele o perdoará imediatamente e encherá seu coração com a alegria do espírito de Deus. Em seguida, você precisa iniciar uma vida diária de comunhão, com oração e estudo da Bíblia.

Se você nunca colocou sua confiança em Jesus Cristo como Salvador, mas entendeu que Ele é real e que o Fim dos Tempos está próximo, e quer receber o Dom Gratuito da Vida Eterna, pode fazer isso agora, na privacidade do seu lar. Após confiar em Jesus Cristo como seu Salvador, você nasce de novo espiritualmente e passa a ter a certeza da vida eterna em Seu Reino, como se já estivesse com Ele.  Se quiser saber como nascer de novo, CLIC AQUI AGORA!!!

No entanto, se a dificuldade está nas doutrinas (de homens) que a sua igreja prega, siga então o último conselho bíblico: Saia dela Povo Meu! Apoc 18:4.

...E, se Eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para Mim mesmo, para que onde Eu estiver estejais vós também. João 14:3

Esperamos que este ministério seja uma bênção em sua vida. Nosso propósito é educar e advertir as pessoas, para que vejam que Jesus está às portas!!!

Que Deus o abençoe.

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